Vidroplano
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60 anos do inovador e envidraçado Edifício Bretagne

Postado em 15/01/2019 às 11:59

bretagne

Edifícios residenciais envidraçados são cada vez mais comuns — ainda mais se levarmos em conta o hoje habitual fechamento de sacadas com o nosso material. Existem aqueles que chamam atenção pela arquitetura arrojada, como é o caso do Vitra, projetado por Daniel Linbeskind, em São Paulo, e todo revestido com vidro. Há sessenta anos, no entanto, destacar nosso material em uma habitação desse tipo era algo incomum. Como surpreender era o forte do construtor João Artacho Jurado, inovações como essa no Brasil só poderiam sair de suas ideias.

Em dezembro passado, fez sessenta anos que foi inaugurado o Edifício Bretagne, localizado no nobre bairro de Higienópolis, na capital paulista. Lançado pela construtora e imobiliária Monções, que pertencia a Jurado e seu irmão, o prédio, sem varandas, tem, em cada um de seus andares, um envidraçamento contínuo — vai de uma ponta a outra da construção.

“O projeto faz com que as pessoas se sintam em um jardim de dentro do apartamento”, explica o arquiteto e urbanista Ruy Eduardo Debs Franco, especialista na obra de Jurado, no documentário Arquitetura Proibida. Além disso, a fachada envidraçada oferece iluminação natural e integração com a cidade.

Essa ideia do jardim citada por Franco se dá, em partes, devido aos beirais localizados logo à frente das janelas — eles têm plantas e também servem de brises à construção. Mas não é só isso. O Bretagne já era um verdadeiro clube, em uma época em que condomínios desse tipo não existiam, com jardim (visto das janelas de todos os apartamentos), piscina, academia, bar, salão de festas, sala de música, brinquedoteca etc.

“O Bretagne representa a efetivação de uma concepção pioneira de como se pode morar em apartamentos”, dizia um texto publicitário da Monções veiculado em jornais do fim de 1958. “Possui o conforto e a alegria propiciados por ambiente nobres, sociais e de recreação para adultos, adolescentes e crianças, todos aparelhados, mobiliados e decorados com fino gosto artístico”, continua o anúncio, finalizando com a propagação de que o prédio supera tudo que, até aquele momento, só poderia ser encontrado em “palácios de alto custo e refinado capricho”.

Não à toa, o prédio foi sucesso de vendas — quando inaugurado, em festa que teve a presença de celebridades e autoridades, não havia mais unidades disponíveis. Por bastante tempo, o condomínio recebeu excursões de pessoas que queriam conhecer a construção. A obra permanece em pé, como um marco da arquitetura paulistana — e muito bem-conservada. Reportagem do portal do jornal O Globo, em 2015, afirma que uma das unidades, habitada pelo próprio Jurado, estava à venda por R$ 6 milhões.

Arquiteto sem diploma
João Artacho Jurado construiu outras obras emblemáticas, que misturavam modernismo com vários outros elementos e muitas cores. Em São Paulo, destacam-se os edifícios Viadutos e Louvre. Em Santos (SP), o Parque Verde Mar e Enseada. Todos têm estilos bem-parecidos. O interessante é que Jurado não era arquiteto. Autodidata e pioneiro no marketing residencial, o empreendedor contratava outros arquitetos para assinarem suas criações. Por isso, sofreu muito preconceito dos arquitetos de sua época. Faleceu em 1983, aos 76 anos.

Fotos: Emiliano Hagge e Guilherme Marcato

Confira as fotos a seguir!

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