Vidroplano
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Cuidados para a instalação de coberturas de vidro

22/11/2019 - 14h12

Tetos e coberturas de vidro são estruturas bastante interessantes para qualquer obra. Com eles, é possível aproveitar melhor os espaços externos, integrando-os à edificação. Além disso, permitem a iluminação natural do ambiente, o que reduz a necessidade de luz artificial e pode trazer, assim, economia de energia.

A instalação desse tipo de estrutura é bastante atrativa para os negócios de um vidraceiro. Como em todo trabalho realizado por esse profissional, ela requer atenção especial para que as coberturas tragam todos os benefícios esperados pelo cliente. Veja algumas orientações a seguir!

 

Teto gigante de vidro!
Os números da cobertura da Estação Morumbi, da linha 4 Amarela, na cidade de São Paulo, impressionam: são mais de 4 mil m² cobertos com nosso material! A obra, executada pela Avec Design, envolveu a instalação de mais de 1.550 painéis laminados (16 mm) com peças de controle solar Cool Lite KNT 140, da Cebrace.

Além do conforto térmico, deixando mais de 70% do calor para fora da estação, a estrutura também mescla filmes de PVB incolores e opacos, os quais projetam sombras bastante interessantes no piso. De quebra, houve a aplicação do polímero hidrorrepelente Glass Shield, da própria empresa, que evita o acúmulo de água e sujeira na superfície dos vidros

teto gigante de vidro

Que vidro usar?
“Escrevam com destaque na reportagem: não usem vidro temperado em cobertura!”, recomenda Thiago Boa Sorte, sócio-proprietário da CBS Vidros. Ele está certo. Embora seguro e até cinco vezes mais resistente que vidros comuns, o vidro temperado não é permitido nessa aplicação, uma vez que, em caso de quebra, seus cacos e o objeto causador da quebra cairão sobre as pessoas.

A regra — no caso, a NBR 7199 — Vidros na construção civil – Projeto, execução e aplicações — é clara: os únicos vidros que podem ser usados nesse tipo de aplicação são o laminado e o aramado.

O laminado pode ser composto por diferentes tipos de peça, sejam eles float, temperados e impressos, entre outras. Ele é formado por duas ou mais lâminas fortemente interligadas por uma ou mais camadas intermediárias de PVB (polivinil butiral), EVA (etil vinil acetato) ou resina. Em caso de quebra, os cacos permanecem presos à camada intermediária, impedindo a abertura do vão, reduzindo o risco de acidentes e ferimentos e mantendo a área fechada e segura até que a substituição do vidro seja realizada.

Uma possibilidade interessante é a laminação com vidros de controle solar. “Existem várias soluções que reduzem a transmissão de calor para dentro do ambiente”, aponta Fábio Reis, gerente técnico comercial da Guardian. “O ideal é entender a proposta arquitetônica para selecionar a cor e a quantidade de luz que passará pelo telhado de vidro, aliando conforto térmico e visual com bom aproveitamento de luz natural.”

Já o aramado pode ser aplicado com o material monolítico (isto é, sem necessidade de laminação ou têmpera). “Esse produto tem uma tela metálica incorporada à massa, o que atribui a ele a característica de vidro de segurança. Caso o aramado sofra quebra, os cacos não se desprendem do arame, evitando acidentes”, explica Gláucia Santos, analista de Marketing da Saint-Gobain Glass.

A NBR 7199 permite também a aplicação de vidros insulados (duplos), desde que a peça voltada para a face interior seja laminada ou aramada.

 

Estética envidraçada e metálica
O SGG Aramado, da Saint-Gobain Glass, foi o produto escolhido para a cobertura do ambiente SBD Porto Fino, projetado por Ivane Barbosa e Marcus Barbosa para a edição 2019 da mostra Casas Conceito, em Salvador. Além de oferecer segurança, a combinação da transparência do vidro com a malha metálica em seu interior harmonizou-se tanto com as estruturas de ferro como com o azul intenso da parede

 

Apenas para profissionais capacitados
Por tratar-se de um trabalho em altura, a Norma Regulamentadora Nº 35 — Trabalho em altura (NR-35) determina que os instaladores da cobertura de vidro tenham certificados concedidos após aprovação em treinamentos por entidades credenciadas, como a Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes (ABPA) e o Senai. “Essa certificação é a base para a correta e segura instalação, uma vez que ela fornece os elementos necessários para uma avaliação apropriada das ameaças e ações preventivas ou corretivas”, destaca Júlio César Lanza, responsável pela área de Desenvolvimento de Mercado da Brazilglass.

Acrescente-se ainda outro requisito importante: um profissional técnico deve sempre acompanhar a obra. “A aplicação de vidros em coberturas requer a presença de um engenheiro ou outro especialista, responsável por avaliar a correta especificação das estruturas de fixação, espessuras mínimas seguras dos sistemas de vidro e todas as demais necessidades”, indica Ana Lion, gerente de Produtos da AGC do Brasil.

 

A arte encontra a natureza
O espaço Galeria Sebrae de Artesanato, assinado pelo escritório Lira Arquitetos na Casa Cor Pernambuco 2018, teve seu teto composto de vidros Performa Duo bronze, laminados de controle solar do catálogo da Vivix. Eles contribuíram para o conforto térmico dentro do ambiente e, de sobra, permitiram o aproveitamento da luz natural e a vista do céu e das copas das árvores do lado de fora

 

Inclinação
A inclinação dos vidros é um fator determinante para o bom desempenho da cobertura. “Além de ajudar no escoamento da água, ela evita o acúmulo de sujeira no vidro e, assim, dá uma aparência melhor à estrutura”, justifica José Romão da Silva Neto, proprietário da R4 Vidros.

Luiz Barbosa, gerente técnico de Vendas da Vivix, recomenda que sempre seja prevista, em projeto, a inclinação mínima de 3%.

EPIs: não faça a instalação sem eles!
– Capacete;
– Luvas;
– Cinto de segurança;
– Talabarte (dispositivo de conexão para sustentar ou limitar a posição do trabalhador);
– Trava-quedas (dispositivo conectado ao cinto de segurança para interromper a queda);
– Dispositivos de ancoragem (para prender o sistema de segurança do trabalhador à estrutura da obra, como em vigas ou andaimes).

roupa de proteção

Levando o vidro à cobertura
Em geral, os painéis costumam ser manuseados por meio de ventosas manuais ou pneumáticas.

Outros acessórios — como andaimes, plataformas elevatórias e dispositivos de içamento — vão depender da análise prévia do local, das dificuldades de acesso para a montagem da estrutura e das características dos vidros (dimensões e peso). Por isso, o planejamento é essencial. José Romão recomenda: “Todo cuidado é pouco nesses procedimentos, desde o isolamento da área abaixo da cobertura, até a escolha dos equipamentos adequados, tudo sendo mensurado de forma que não traga prejuízos”.

Vale citar que algumas empresas contam com soluções diferenciadas para esses sistemas. A Avec Design, por exemplo, trabalha com o Ecoglazing, espécie de caixilho sintético com perfis de borracha de silicone HTV protegendo toda a borda do vidro. Aplicado diretamente sobre a estrutura, ele absorve os movimentos de dilatação ou vibração. Por sua vez, a CBS Vidros desenvolveu um sistema de cabeamento interno e motorização embutido para coberturas retráteis.

estação-de-ônibusCobertura de vidro com a tecnologia Digitalglass de impressão digital, da Brazilglass: além de visual diferenciado, aplicação também contribui para o sombreamento e privacidade do ambiente

 

Dicas de instalação
Thiago Boa Sorte, da CBS Vidros, relaciona alguns preparos para facilitar o manuseio e a aplicação das peças:

– Leve os vidros já limpos para a obra;

– Caso o laminado seja feito com vidro refletivo, marque o lado que deve ficar voltado para cima;

– Proteja as bordas do vidro durante seu manuseio com materiais como cantoneiras de borracha.

 

Gazebo da Praça Urbana, ambiente do arquiteto Gláucio Gonçalves na Casa Cor São Paulo 2017: laminados com peça de controle solar SunGuard Neutral 14 e incolor, da Guardian, ajudaram a integrar espaço ao jardim sem permitir a passagem de água para seu interior

 

Quebras: como evitá-las durante…
O rompimento de uma peça de vidro é um pesadelo para qualquer vidraceiro, pois, além do material perdido, providenciar outro painel demanda tempo e dinheiro.

Lanza, da Brazilglass, aponta a que os riscos de quebra em uma instalação de cobertura de vidro estão quase sempre ligados:

– à qualidade da lapidação das peças;
– à qualidade da estocagem em obra;
– ao manuseio inadequado dos painéis;
– ao uso de ferramentas e equipamentos inadequados.

“Seguindo as recomendações de produção, transporte, manuseio e instalação, os riscos se tornam mínimos”, ele explica.

…e depois da instalação
Sim, o vidro também pode quebrar-se depois de ter sido instalado. Segundo José Guilherme Aceto, diretor da Avec Design, há dois erros que podem levar ao desgaste e eventual ruptura do painel:

Má qualidade da lapidação: como esses vidros estão sujeitos à alta absorção térmica, a ausência de um bom acabamento nas bordas pode levar a microfissuras que, com o tempo, ocasionam a quebra;

Caixilhos que prendem os vidros com muita força: metais como o alumínio têm um coeficiente de dilatação maior que o do vidro. Assim, quando há variação de temperatura, se o caixilho estiver preso à peça com muita força, sua dilatação pode “puxar” as bordas dela, forçando-a e levando à ruptura.

sgg aramado

Vale ressaltar ainda a importância da proteção das bordas dos vidros: a NBR 7199 estabelece que o contato delas entre si, com alvenaria, peças metálicas ou qualquer material de dureza superior ao vidro é proibido. A luz pode passar. A chuva, não! A vedação da cobertura é uma etapa-chave para garantir sua qualidade: se malfeita, ela compromete a estanquidade do sistema.

“Para uma boa vedação, é recomendável usar selante de silicone de qualidade e controlar, rigorosamente, a limpeza, temperatura de aplicação, umidade e, ainda garantir que o topo do vidro tenha uma boa adesão a ele — uma lapidação polida das peças é a mais eficiente nesse sentido”, aconselha Aceto.

Um erro muito comum nesse tipo de instalação é o uso de caixilhos com gaxetas de borrachas tipo EPDM, pois elas soltam óleos plastificantes que contaminam o silicone. Aceto diz: “Sistemas de envidraçamento estrutural tendem a ser preferíveis para coberturas de vidro sem vazamentos, pois seu perímetro é compatível para receber o selante”.

Este texto foi originalmente publicado na edição 563 (novembro de 2019) da revista O Vidroplano. Leia a versão digital da revista.



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