AL Indústria avança com foco em inovação, qualidade e atenta às oportunidades

Maior destaque do Prêmio Abravidro 2025, empresa mira em internacionalização estratégica e conta com equipe que atua diariamente na base da cadeia vidreira
Por Redação Abravidro
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AL Indústria avança com foco em inovação, qualidade e atenta às oportunidades

Nascida em 1993, em uma pequena estrutura em São Bernardo do Campo, município do ABCD paulista, a AL Indústria transformou ambição em legado e ferragem em referência. O que começou como uma operação familiar se tornou uma marca especializada em puxadores, ferragens e sistemas de alumínio, atendendo todo o setor de vidros e da construção civil. Atualmente instalada em Mauá, Região Metropolitana de São Paulo, a companhia conta com mais de quatrocentos funcionários.

Essa maturidade operacional foi reconhecida no ano passado, no 2º Prêmio Abravidro Glass South America, quando a AL foi a maior vencedora da edição, conquistando o troféu em três categorias: melhor fabricante de ferragens e acessórios para vidro; melhor fabricante de sistemas para envidraçamento de sacadas; e melhor fabricante de sistemas para portas de vidro.

Por trás desse desempenho premiado está a liderança de Max Del Olmo, diretor da AL e filho do fundador da empresa, Max Pedro Del Olmo Le Leuxhe, que traz a disciplina e a competitividade em seu DNA herdado de sua vivência no judô, esporte que lhe ensinou a “lutar com os maiores” para evoluir continuamente. Atuando no negócio da família desde os dezoito anos, ele conduz a companhia com otimismo, fundamentado em sua paixão pelo setor.

Expansão sem fronteiras
Max explica que, apesar da forte tradição e do reconhecimento no mercado nacional, a AL mantém seu foco no investimento e na expansão de novos negócios. Essa postura arrojada não é recente: foi ela que, em 2005, marcou a transição definitiva de vidraçaria para indústria. Naquele ano, a companhia rompeu paradigmas ao apostar na fabricação de ferragens em polímero, desafiando um setor até então dominado quase exclusivamente pelo metal. Mais recentemente, essa mesma estratégia de crescimento levou a marca além das fronteiras brasileiras, com presença na Argentina, Bolívia, Chile, Uruguai, Paraguai e República Dominicana.

A estratégia de internacionalização varia conforme a oportunidade. Max destaca que essa expansão muitas vezes ocorre de forma orgânica, fruto do networking e da participação em feiras. No Paraguai, a empresa possui uma operação 100% própria: trata-se de uma loja-piloto criada com o propósito de possibilitar a expansão para outras áreas. Já na República Dominicana, a entrada da marca ocorreu após uma visita técnica. “A equipe do Paraguai foi para lá a passeio e, com um olhar visionário, enxergou a oportunidade de conhecer a Alca, uma empresa local. Eles vieram ao Brasil, encantaram-se conosco e hoje são nossos parceiros”, revela o diretor.

No país da América Central, a AL Indústria marca presença em projetos residenciais de alto padrão, como o Armonía Portillo, em Las Terrenas, e o Forest Residence, em Cap Cana – ambos equipados com a linha Max System. Além desses residenciais, os produtos da empresa também estão em restaurantes e estabelecimentos comerciais, acompanhando o ritmo acelerado da construção civil e a expansão de
novos condomínios na região.

Equipe da AL na cerimônia de entrega do 2º Prêmio Abravidro Glass South America, no ano passado: empresa ganhou em três categorias (foto: Divulgação AL Indústria)

Conheça a AL Indústria
Instalada em Mauá (SP);
Planta com 20 mil m² de área construída em três prédios;
Mais de 20 anos de história no setor 464 funcionários;
Mais de 1.200 distribuidores no Brasil;
Seu portfólio de produtos inclui puxadores, ferragens para vidro (polímero e metal), kits de engenharia, sistemas para sacadas e a linha Max System, um sistema de perfis modulares que simplifica a montagem de esquadrias de alto padrão.

A força da equipe em campo
O crescimento da empresa também se apoia em dar atenção a pessoas que valorizam a proximidade com o cliente. A atuação da equipe não se restringe aos muros da fábrica: há um forte trabalho de campo para apoiar os mais de 1.200 distribuidores espalhados pelo Brasil.

Para Max, essa estrutura de atendimento externo é vital para o relacionamento com a ponta da cadeia. “Não é só a equipe interna que dá suporte. Temos profissionais espalhados por todo o Brasil, promovendo ações todos os dias junto aos distribuidores. Um dia é um café da manhã para atender vidraceiros; no outro, um treinamento com a equipe do distribuidor; ou então reunimos distribuidor e vidraceiro para montar um showroom prático, mostrando o produto em funcionamento. É um trabalho diário de capacitação, um esforço constante nosso para
fortalecer toda a cadeia.”

História que começou com peixes
Antes de se tornar uma gigante do setor, a família Del Olmo dedicava-se à fabricação de aquários. Max pai fabricava aquários de vidro e, quando o seu fornecedor de matéria-prima se mudou de São Paulo para a Bahia, a família adquiriu uma franquia de vidros a fim de garantir a produção própria. Esse movimento inesperado abriu as portas para o que viria a ser a vidraçaria da AL, em 1994, e, posteriormente, a indústria de ferragens.

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“O poder do mercado está na mão do vidraceiro”

Max Del Olmo, diretor da AL Indústria, analisa a expansão do portfólio da fabricante, a estratégia de capacitação técnica de parceiros e a gestão de talentos como pilares de crescimento

(foto: Pedro Amorim)

Como é a história de crescimento da empresa com a criação da vidraçaria e a transição para se tornar uma indústria?
Max Del Olmo – Meu pai vem da indústria e sempre sonhou em fazer um produto em escala. Na época, tínhamos muita dificuldade em achar puxadores e ele viu ali uma oportunidade: se nós tínhamos dificuldade, outros vidraceiros também tinham. Assim começou a AL Puxadores, produzindo em linha em vez de fazer apenas para a nossa vidraçaria. Ele foi se afastando do comércio com o desenvolvimento dessa fábrica de puxadores. Em 2005, lançamos também a ferragem de polímero para o mercado. Foi uma transição paralela; ele seguiu com esse projeto e nós mantivemos a vidraçaria aberta porque não sabíamos se daria certo. Mas deu, e nos tornamos uma indústria de forma tranquila.

Quais foram os grandes desafios e as grandes vitórias naquele momento de transição?
MDO – O desafio era quebrar o paradigma de trocar a ferragem de metal pela de polímero. O polímero trouxe um processo produtivo diferente, o que nos dava condição de oferecer um preço melhor; era cerca de 15% mais barato e ainda com uma cortiça colada, que, na época, não existia. A vitória foi o crescimento explosivo: passamos de dez para cinquenta funcionários em apenas quinze dias. O desafio real foi o
capital de giro, pois vendíamos muito mais do que tínhamos capacidade de comprar em matéria-prima, mas empresas parceiras acreditaram no nosso projeto e nos deram crédito naquele início.

Em 2014, vocês iniciaram com a extrusão de alumínio. Como foi essa decisão e o que ela agregou para vocês?
MDO – O próprio mercado nos levou a isso; o cliente que era bem-atendido pela nossa ferragem pedia soluções de alumínio. Começamos importando da China, mas os atrasos em navios e portos colocavam em risco nosso compromisso de atendimento. Montamos então a extrusora como um backup para garantir o fornecimento. Hoje, invertemos a lógica: 80% da produção é do Brasil e 20%, da China. Atualmente, o faturamento da AL é dividido praticamente em 50% polímero e 50% alumínio.

Em que segmentos vocês atuam mais fortemente e quais são os principais produtos com que trabalham hoje na AL?
MDO – O polímero e a ferragem ainda representam a nossa maior fatia. Logo abaixo já vem o Max System, é um produto muito interessante que vem com um crescimento absurdo. Temos também o boxe, que é uma commodity, e o kit engenharia, que possui alguns diferenciais. O sistema de sacada acaba ficando em último porque, por ter testes e marca, possui um custo maior. Já o perfil de alumínio em barra nós usamos para atender alguns clientes específicos, funcionando quase como um “step” quando falta material no mercado.

Tem sido um tema muito sensível a contratação e retenção de mão de obra. Como vocês estão trabalhando essa questão de recrutamento, seleção e retenção de talentos?
MDO – Cerca de 60% dos nossos funcionários são colaboradores de longa data. Diferentemente do que a maioria do mercado relata, o meu menor problema é a mão de obra. Para os demais, o clima organizacional é o diferencial; temos uma energia interna muito positiva e nossa pesquisa de satisfação interna atinge 97%. Infelizmente, há uma rotatividade na base, de pessoas que não enxergam a oportunidade de carreira — como entrar como ajudante e se tornar líder de ferramentaria —, mas para a estrutura consolidada da empresa, não enfrentamos dificuldades de retenção.

E os critérios de seleção para os trabalhadores? Vão muito além da remuneração? Quando você consegue entregar isso, fica mais fácil de reter os talentos…
MDO – Exatamente, e eu acredito que o que retém as pessoas são o respeito e o carinho; não adianta pagar bem e tratar de forma estúpida. Sou extremamente transparente: abro meu computador, mostro os números da empresa e explico as possibilidades reais de reajustes ou benefícios. Devido a essa postura de parceria, quase não tenho problema com mão de obra. Valorizamos o colaborador ao máximo e mostramos que ele não está apenas ganhando algo, mas conquistando por meio do seu trabalho.

Este texto foi publicado originalmente na edição nº 638, de fevereiro de 2026, na revista O Vidroplano.

Foto de abertura: Divulgação AL Indústria

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