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ABNT NBR 17296 estabelece parâmetros ESG para o vidro plano

Objetivo da norma é criar um padrão claro para identificar quando um vidro pode ser considerado sustentável
Por Redação Abravidro
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ABNT NBR 17296 estabelece parâmetros ESG para o vidro plano

O setor vidreiro brasileiro passa a contar com uma referência técnica específica para avaliar e reconhecer práticas sustentáveis ao longo de sua cadeia produtiva. Publicada em evento realizado em maio (veja mais na reportagem anterior), a ABNT NBR 17296 — Sustentabilidade
de Vidros Planos – Requisitos e Critérios Ambientais, Sociais e de Governança (ESG)
estabelece parâmetros para a classificação de vidros sustentáveis, alinhando o segmento às crescentes demandas por responsabilidade ambiental, transparência e governança corporativa.

A norma surge em um momento em que a sustentabilidade ganha protagonismo na indústria e busca criar uma base técnica confiável para mensuração, verificação e rastreabilidade das práticas ESG – do termo em inglês Environmental, Social e Governance (ambiental, social e
de governança, em português) – adotadas pelas empresas. Além de fortalecer a credibilidade do setor, o documento tem potencial para contribuir para a eficiência energética das edificações e para o avanço da economia circular.

O que estabelece a norma
A ABNT NBR 17296 define requisitos ambientais, sociais e de governança aplicáveis à produção e ao processamento de vidros planos. Seu principal objetivo é criar um padrão claro para identificar quando um vidro pode ser considerado sustentável, servindo de base para futuras certificações e reconhecimentos de mercado.
A norma se aplica aos seguintes tipos de vidro:

  • Floats incolores e coloridos;
  • Com revestimento (coated);
  • Texturizados;
  • Produtos processados a partir de todos eles, como vidros temperados, laminados, de controle solar, insulados e espelhos.

O documento representa, assim, um avanço importante para a cadeia vidreira ao aumentar a transparência das práticas de sustentabilidade, permitir a comparação entre produtos e fabricantes e fortalecer a credibilidade das informações apresentadas ao mercado. Na prática, cria
uma linguagem comum para a comprovação do desempenho sustentável de nossos produtos.

Os três pilares da norma Para que um vidro plano seja classificado como sustentável, é necessário atender, simultaneamente, os requisitos dos pilares de ESG:

  • Critérios ambientais (E) São os mais detalhados e concentram-se, principalmente, no processo de fabricação do vidro.
    As usinas devem elaborar um inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE), contemplando:
  • Escopo 1: emissões diretas de fontes próprias ou controladas;
  • Escopo 2: emissões indiretas da geração de energia elétrica e/ou térmica comprada.

A norma também estabelece um limite máximo de emissão de GEE: 0,60 t de CO₂ equivalente por tonelada de vidro fundido, definindo um parâmetro objetivo de desempenho ambiental.

Outro ponto central é o uso de matérias-primas. As usinas devem declarar o percentual de material reciclado utilizado e assegurar a rastreabilidade desses insumos, comprovando sua origem e utilização ao longo do processo produtivo, quando aplicável. Também são abordados o consumo de água, o tratamento de efluentes e a gestão de resíduos, incentivando práticas como recirculação, reaproveitamento
e destinação adequada.

No caso de vidros aplicados em fachadas, há ainda a recomendação de considerar o desempenho térmico do vidro por meio do fator solar igual ou inferior a 0,70, contribuindo para a eficiência energética das edificações.

Critérios sociais (S)
A norma estabelece requisitos relacionados às condições de trabalho e à responsabilidade das empresas, incluindo:

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  • Implementação de programas de saúde e segurança ocupacional;
  • Cumprimento da legislação trabalhista;
  • Proibição de trabalho infantil e em condições análogas à de escravo;
  • Respeito à liberdade sindical.

O documento também amplia o olhar para a cadeia de fornecedores e para os impactos nas comunidades onde as empresas atuam.

Critérios de governança (G)
Trata da gestão e integridade das práticas empresariais, incluindo:

  • Conformidade legal (compliance);
  • Adoção de código de ética;
  • Gestão de riscos ESG;
  • Rastreabilidade das informações;
  • Transparência na comunicação com o mercado.

Na prática, esses requisitos garantem que as informações declaradas sobre sustentabilidade sejam confiáveis e verificáveis.

Produtos compostos


A ABNT NBR 17296 também prevê que produtos intermediários ou finais que utilizem vidro plano como componente possam declarar o uso de vidro sustentável, desde que o material empregado esteja em conformidade com todos os requisitos. Na prática, isso permite agregar valor ao produto final.

Verificação da conformidade
Por último, a norma exige a verificação independente das práticas adotadas pelas empresas. A conformidade deve ser comprovada por auditorias terceirizadas, com base na análise de documentos, certificações e registros que demonstrem o atendimento aos requisitos estabelecidos. Essa verificação deverá ocorrer periodicamente, em intervalos máximos de cinco anos, garantindo a manutenção das condições avaliadas e reforçando a confiabilidade das informações disponibilizadas ao mercado.

Nesse contexto, a ABNT NBR 17296 ganha ainda mais relevância por servir de base para a futura certificação do programa Selo Verde Brasil, iniciativa do governo federal visando ao reconhecimento de práticas sustentáveis, o que reforça seu papel estratégico para o setor vidreiro.
Importante: os associados à Abravidro já podem acessar o documento, gratuitamente, por meio da ABNT Coleção, plataforma que contém um acervo de normas técnicas vidreiras.

Acesse a norma pela plataforma ABNT Coleção

Este texto foi publicado originalmente na edição nº 642, de junho de 2026, na revista O Vidroplano

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