O Auditório Millenium, no bairro da Vila Olímpia, em São Paulo, foi palco ontem (25), data em que se comemorou o Dia da Indústria, do painel Selo Verde Brasil: Um Marco para a Indústria Sustentável, organizado pela Secretaria de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O encontro representou um passo estratégico na construção de referências nacionais para a certificação sustentável de produtos, aproximando a transição ecológica da competitividade industrial. A Abravidro esteve presente com sua equipe, incluindo o presidente Rafael Ribeiro e a superintendente Iara Bentes.
O Selo Verde Brasil é uma iniciativa do Governo Federal, liderada pelo MDIC, que estabelece diretrizes nacionais para certificar a sustentabilidade de produtos e serviços, tendo como objetivo aumentar as boas práticas sustentáveis nas cadeias produtivas nacionais e ampliar a competitividade desses produtos no Brasil e no exterior.
Nova norma do setor
O evento teve grande destaque para a cadeia vidreira, por conta da publicação da norma ABNT NBR 17296 – Sustentabilidade de vidros planos – Requisitos e critérios ambientais, sociais e de governança (ESG). Celebrando o avanço, Rafael Ribeiro lembrou que o vidro é um material 100% reciclável, podendo retornar ao ciclo produtivo infinitas vezes sem perder qualidade, sendo um exemplo concreto de economia circular e sustentabilidade. “Vale ressaltar a dedicação do Comitê Brasileiro de Vidros Planos (ABNT/CB-37), sediado na Abravidro, que atuou de forma rápida na elaboração da nova norma”, comentou.
Os associados da Abravidro já podem acessar o documento gratuitamente por meio da plataforma ABNT Coleção, que contém um acervo de normas técnicas vidreiras. Clique aqui para acessá-la.
A visão das lideranças do setor
Para o nosso segmento, o lançamento das diretrizes do Selo Verde e da ABNT NBR 17296 é motivo de celebração e reconhecimento do trabalho que já vem sendo realizado na base da cadeia.“É um movimento muito importante para a valorização do produto vidro, uma vez que o material no Brasil tem um desempenho sustentável melhor do que o encontrado em muitos outros países”, analisa Rafael Ribeiro.
Lucien Belmonte, presidente-executivo da Abividro, explicou que a norma consolida os esforços da indústria: “É uma forma de comprovarmos tudo aquilo que a gente vem fazendo até hoje. Agora tem métrica, comprovação, verificação de que nós estamos no caminho certo para oferecer o vidro de melhor performance ambiental a ser produzido”.
A padronização também é vista como um escudo para a indústria nacional frente ao mercado externo. Mario William Esper, presidente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), defendeu a medida como uma questão de isonomia: “Não é justo que a indústria brasileira cumpra com todas as normas de sustentabilidade e ESG, e produtos importados não sigam os mesmos critérios. Então, essa é uma norma de isonomia competitiva”.
Sissi Alves da Silva, diretora do Departamento de Novas Economias do MDIC, reforçou que o objetivo é aumentar a competitividade de quem atua com responsabilidade, dando “segurança, padronização e uma maior previsibilidade, além de diminuir as barreiras para os produtos brasileiros”.
Segundo Luiz Barbosa, gerente de Desenvolvimento de Mercado da Vivix e coordenador da comissão de estudos do ABNT/CB-37 responsável pela elaboração da norma, a usina de base já pratica muito do que a norma exige. Com isso, o documento vem coroar esse fato, “criando um equilíbrio para que outras regras sejam avaliadas também durante o processo”.
O trabalho, no entanto, não acaba com a publicação do texto técnico. Sílvio Carvalho, gerente técnico da Abravidro, reforça que a publicação da norma é um primeiro passo importante, mas que o vidro tem novas etapas pela frente: “Agora a gente vai trabalhar na questão do regulamento de avaliação da conformidade com o Inmetro e se aproximar do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para a capacitação das empresas”.
Confirmando esse apoio, Isabella Póvoa, especialista do Senai, explicou que a participação da instituição nesta iniciativa será voltada às empresas interessadas em aprimorar seus indicadores de sustentabilidade, ampliar a competitividade e atender às demandas de mercados globais cada vez mais exigentes em critérios ambientais. “O Senai vai oferecer uma capacitação e depois terá também um programa de consultorias, fazendo um diagnóstico e um acompanhamento com base nas normas publicadas”, comentou.

Debate
Rafael Ribeiro compôs ainda a mesa de discussões “O Setor Produtivo na Economia Verde”. O painel foi moderado por Sissi Alves, do MDIC, e reuniu, além da Abravidro, presidentes de associações de setores estratégicos, como Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e a Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro). O principal objetivo da conversa foi debater como iniciativas de padronização, como o Selo Verde, podem garantir referências comuns, previsibilidade para investimentos e acesso a novos mercados.
Durante sua participação, Ribeiro enfatizou que o segmento industrial possui grande facilidade em atuar com normas técnicas. “Padronização está no DNA da indústria”, afirmou, lembrando que, recentemente, durante a pandemia, a indústria foi o setor que mais se adaptou às correções, mudanças de rota e aplicações de procedimentos de segurança em razão do seu costume de lidar com padronização. “Previsibilidade é tudo que o empresário quer para o seu negócio”, pontuou.
Ele alertou, contudo, que o esforço do mercado produtivo precisa ser acompanhado de uma comunicação clara para quem compra matérias-primas, especialmente diante da forte concorrência internacional, como a dos países asiáticos. “Precisamos que o consumidor brasileiro reconheça o diferencial do produto nacional e escolha valorizar essa produção ao optar pela compra do produto nacional”, defendeu. “Não existe empresa sustentável sem pedido em carteira.”
A relevância da nossa cadeia também foi enaltecida por Lucien Belmonte, da Abividro, que destacou que o Selo Verde é uma ferramenta de coroação dos esforços ambientais, “principalmente no caso do vidro plano, que é um material fundamental para a construção civil”. Ele enfatizou que o tema ambiental é o grande diferencial competitivo da indústria brasileira e ressaltou ainda o compromisso de nosso segmento com a rastreabilidade da reciclagem.
A expectativa com a implementação do Selo Verde é de que produtos fabricados com responsabilidade socioambiental, como os do setor de vidros planos, ganhem cada vez mais espaço e valorização, inclusive como critério para compras públicas governamentais, estimulando a inovação e o crescimento da indústria nacional.
Programação
Além dos anúncios estratégicos, a programação do encontro contou com outras mesas de debate que reuniram autoridades e representantes institucionais para discutir os caminhos da economia verde e da transição sustentável no País. O painel de abertura, intitulado “Economia Verde, Desenvolvimento Industrial e o Programa Selo Verde Brasil”, discutiu o papel do Estado na transição ecológica. Participaram dessa mesa a secretária de Economia Verde do MDIC, Julia Cruz; o presidente da ABNT, Mario William Esper; o gerente de fomento da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Rogério Dias Araújo; o superintendente de inovação do Senai, Roberto de Medeiros Junior; e a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), autora da emenda que viabilizou as etapas iniciais do projeto.
Para encerrar o dia de discussões, foi realizada a “Apresentação Técnica do Programa Selo Verde Brasil”, que marcou o lançamento da etapa de capacitação conduzida pelo Senai. A mesa foi conduzida por Giselle Viana (MDIC), Cláudio Guerreiro, gerente de Normalização da ABNT, Ricardo Fermann, coordenador geral de Acreditação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e Isabella Póvoa, especialista de Desenvolvimento Industrial do Senai.
Foto de abertura: Risnic Fotografia






