Um estudo publicado na edição de outubro da revista científica Nano Letters, da American Chemical Society (ACS), apresenta um vidro inteligente capaz de alternar entre estados transparente e refletivo por meio de estímulos elétricos. A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências (CAS), em parceria com a Universidade Florestal do Nordeste (Nefu), e combina o controle da passagem de luz com o resfriamento radiativo passivo.
Liderada por Jingjing Mao, a pesquisa utiliza uma película metálica ultrafina de prata, formada sobre a superfície do vidro por meio de um processo de eletrodeposição. Quando recebe uma tensão elétrica, o dispositivo promove a deposição de íons de prata, formando uma camada refletiva que dificulta a entrada de parte da radiação solar. Com a inversão da polaridade, a prata se dissolve novamente, permitindo que o material recupere sua transparência. O processo é reversível e possibilita ajustar as propriedades ópticas sem substituir o vidro.
Além de controlar a entrada de energia solar, o sistema utiliza o resfriamento radiativo para favorecer a dissipação de calor por meio da emissão de radiação infravermelha. Nos experimentos, a transmissão média de luz visível variou de, aproximadamente, 44% para menos de 5%, enquanto a reflexão da radiação infravermelha próxima aumentou de 54% para 83%. Os pesquisadores também produziram amostras em diferentes tonalidades, como amarelo-claro, ciano, violeta acinzentado e rosa-avermelhado.
Testes em condições reais
Para avaliar o desempenho térmico, os cientistas realizaram testes ao ar livre em Xangai, na China, utilizando pequenos compartimentos com diferentes coberturas transparentes. Durante a exposição solar, aquele equipado com o vidro inteligente apresentou temperatura interna média cerca de 3,4 °C inferior à registrada no compartimento com vidro de quartzo.
Os resultados apontam possibilidades de aplicação da tecnologia em janelas e fachadas, especialmente em projetos que buscam melhorar o controle térmico das edificações e reduzir a demanda por climatização. A solução, entretanto, ainda depende de avaliações adicionais para determinar seu desempenho em diferentes condições ambientais e de instalação.
Foto: Adobe Stock/luchschenF










