Como se pode ver na reportagem especial desta edição, são inúmeras as tendências na aplicação de vidro que deverão fazer sucesso este ano. Para complementar aquela matéria, mostramos agora algumas formas de agregar valor a um imóvel usando nosso material. Hoje em dia, os usuários de edificações buscam conforto e bem-estar em suas residências e espaços de trabalho. Ao oferecer isso e muito mais, o vidro é o elemento-chave das construções modernas, sustentáveis e energeticamente eficientes, merecendo atenção dos construtores e usuários finais.
CONFORTO TÉRMICO

Sistemas de ar-condicionado não são a única solução para controlar a temperatura dentro de edificações. Com a tecnologia vidreira, é possível adaptar soluções para diferentes climas, regulando a entrada ou saída de calor:
- Em regiões quentes, a escolha deve ser por vidros de controle solar com alta reflexão energética – ou seja, alta capacidade de refletir o calor –, sempre tendo em mente que seu desempenho é variável, dependendo de questões como o ângulo de incidência dos raios solares e condições climáticas, como temperatura e vento;
- Para regiões frias, a solução é manter o calor dentro do ambiente. Aumentar a área envidraçada pode ser eficaz. Nesse caso, é fundamental aplicar elementos de sombreamento adequadamente desenhados, evitando assim o sobreaquecimento durante o verão, ao mesmo tempo que se admite o aquecimento solar desejado no inverno. Brises, varandas ou mesmo cortinas e persianas (estas podem ser instaladas dentro das câmaras dos vidros insulados) farão bem esse serviço.
Importante ressaltar que não são apenas construções de grande porte, ou de alto padrão, que podem contar com a tecnologia dos vidros de controle solar: as usinas nacionais contam com linhas específicas do produto visando a residências. Para o desenvolvimento desses produtos, são definidos os principais atributos necessários para atender as necessidades e tendências do setor residencial, com foco no conforto e buscando a combinação ideal entre entrada de luz e bloqueio de calor.
E por que apostar apenas em um único vidro de controle solar se ele pode ter seu desempenho aumentado caso instalado num conjunto laminado ou insulado? Especificar soluções mais robustas ajuda a aumentar a eficácia dos materiais, especialmente em regiões com grande variação térmica ou quando a edificação necessita de mais desempenho (como em um prédio comercial, por exemplo).
CONFORTO ACÚSTICO

O barulho atrapalha quem precisa de silêncio e ainda é responsável por piorar a saúde das pessoas: a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 10% da população mundial esteja exposta a níveis sonoros que potencialmente causam perda auditiva. Além disso, ruídos altos aumentam o estresse, a frequência cardíaca e a pressão arterial, entre outros problemas. Isolamento sonoro, portanto, deve ser encarado como prioridade em uma edificação, ainda mais com as grandes cidades contemporâneas cheias de poluição sonora.
Pesquisa de 2022 sobre tendências de moradia e compra, elaborada pela agência DataZap, revelou que 69% dos consumidores apontam o isolamento acústico como quesito importante em imóveis verticalizados. Na edição de 2024, esse interesse subiu para 71%. Ou seja: os usuários querem viver sem a presença de barulho.
Graças à sua massa, maior que a de outros materiais, o vidro é altamente capaz de barrar ruídos. E as soluções a serem exploradas por arquitetos e engenheiros são diversas: interlayers para a atenuação acústica podem ser usados em laminados, enquanto os conjuntos insulados podem ganhar gases que ajudarão a aumentar a dissipação do som – além de garantir maior conforto térmico. E, atenção: o vidro não resolve tudo sozinho! A instalação e a vedação dos conjuntos precisam evitar a presença de frestas, pois elas vão diminuir consideravelmente o desempenho esperado.
A beleza estética, por sua vez, anda junto com a tecnologia: tais soluções podem ser instaladas em esquadrias minimalistas, com caixilhos 100% embutidos na parede ou no chão, garantindo maior exposição dos vidros.
INTEGRAÇÃO ENTRE AMBIENTES

O maior legado arquitetônico surgido com a pandemia de Covid-19 foi a transformação das residências, sejam casas ou apartamentos, em espaços multiuso, utilizados para o home office e para exercícios físicos, incluindo a presença de áreas verdes.
A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) informou, lá em 2021, que escritórios de arquitetura recebiam pedidos para a alteração de projetos previamente aprovados, com o intuito de deixá-los mais confortáveis, de forma a se passar mais tempo em casa. Portanto, a tendência da integração entre ambientes (entre espaços de uma mesma edificação ou em relação ao exterior da obra) veio para ficar – e o vidro, claro, é a única matéria-prima a oferecer a transparência e a segurança necessárias para esse propósito.
Além de permitir a entrada de luz natural, o que diminui o consumo de eletricidade com iluminação artificial, o material transforma cubículos apertados em espaços amplos por meio de divisórias ou portas envidraçadas. Isso aproxima as pessoas sem deixar de lado a privacidade. A aplicação em fachadas garante ainda o contato com o ambiente externo, melhorando a saúde física e mental dos usuários.
PARA DECORAÇÃO

A versatilidade de nosso material dá a arquitetos e designers de interiores diversas oportunidades para revolucionar o aspecto estético de um ambiente. Vidros serigrafados usados em revestimentos, por exemplo, trazem uma infinidade de cores aos espaços, ao mesmo tempo que oferecem facilidade para limpeza e durabilidade – o contrário de uma parede pintada. A serigrafia digital vai além: permite a impressão de imagens e padrões em altíssima resolução na superfície das chapas, reproduzindo texturas de outros materiais, como madeira e pedra.
Por falar em texturas, os vidros texturizados vivem uma espécie de renascimento na decoração. Em mostras de arquitetura pelo País, tornou-se rotina encontrar a solução aplicada não só em tampos de móveis e prateleiras, mas de forma estrutural, como em divisórias, e até mesmo em mosaicos (geralmente incluindo outros tipos de vidro, como serigrafados e incolores).

Não se pode deixar de citar também os espelhos: em tempos nos quais os microapartamentos ganham terreno no mercado imobiliário, o produto segue com a relevante função de ampliar espaços quando usado como revestimento. Em banheiros e quartos, aquele tradicional espelho retangular saiu de moda: a tendência agora é aplicá-lo em formatos orgânicos, cheios de curvas.
Este texto foi publicado originalmente na edição nº 638, de fevereiro de 2026, da revista O Vidroplano.
Foto de abertura: Vitor Guilherme







