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17º Simpovidro: Dado Schneider provoca reflexão sobre a Geração Z e a alta performance nas empresas

Doutor em comunicação encerrou as apresentações do dia discutindo as mudanças geracionais e os novos desafios de liderança na cadeia vidreira
Por Redação Abravidro
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17º Simpovidro: Dado Schneider provoca reflexão sobre a Geração Z e a alta performance nas empresas

Como engajar as novas gerações e construir equipes de alta performance em um mercado em constante transformação? O doutor em comunicação Dado Schneider buscou responder a essa provocação na palestra Gestão – O paradoxo da geração Z e a alta performance no trabalho, apresentação que encerrou a programação de palestras desta sexta-feira (6) no 17º Simpovidro. Criador da marca Claro e autor dos livros O mundo mudou… Bem na minha vez! e Desacomodado, Schneider trouxe sua linguagem dinâmica para abordar o choque geracional e a cultura de trabalho nas empresas do setor vidreiro.

Gerações, tecnologia e novas relações de trabalho 

O palestrante iniciou sua apresentação de maneira inusitada: sem dizer uma palavra, durante sete minutos, usou o telão e expressões corporais para provocar o público sobre os ruídos de comunicação, os dilemas da Geração Z e os desafios das organizações para se relacionar com os jovens. 

Depois da “palestra muda”, passou a discutir as transformações culturais e comportamentais que estão mudando as relações de trabalho. Com bom humor, o especialista criticou expressões e hábitos que considera ultrapassados e que podem gerar distanciamento entre gerações. O conceito de cringe, usado pela Geração Z para designar situações de vergonha alheia, serviu de ponto de partida para mostrar como palavras, gestos e formas de comunicação podem denunciar diferenças de mentalidade. “Parem de falar essas expressões de velho”, brincou.

Na avaliação de Schneider, uma das principais mudanças está na passagem de uma sociedade vertical, baseada em hierarquias e autoridade, para uma estrutura mais horizontal. No século 20, predominava a lógica do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Com a chegada da Internet, porém, o acesso à informação deixou de ser concentrado nas mãos dos mais velhos, alterando as relações entre gestores e equipes. “A gente não se diferencia mais por idade. A gente passou a se diferenciar por mentalidade!”, destacou, ao citar perfis como os jovens-velhos, resistentes às mudanças, e os velhos-jovens, mais adaptados às tecnologias.

Schneider abordou também a longevidade e a inteligência artificial (IA). Segundo ele, os profissionais estão diante de um cenário inédito, marcado pela velocidade das transformações e pela necessidade de atualização constante. Nesse contexto, acredita que a experiência pode ser uma vantagem no uso da IA, especialmente na elaboração de comandos (prompts). “Um bom prompt é repertório, vocabulário, concordância nominal, verbal! Quem é que tem isso no corpo? Nós, os velhos. Porque a gente leu mais!”, provocou.

Gestão das novas gerações

No que tange à gestão de pessoas, o especialista desfez mitos amplamente difundidos sobre a motivação da Geração Z nas empresas: “Outra coisa: ‘Ai, ele trabalha por propósito!’. Mentira! Eu pesquiso a Geração Z. Eles não trabalham por propósito, tá? Isso é delírio. É delírio de texto de IA no LinkedIn! Ninguém trabalha por propósito! A nova geração, a Geração Z, não vai se realizar por meio do trabalho (…) Ela veio ao mundo para ter experiências”.

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Segundo o palestrante, para os jovens que planejam viver mais de um século, o emprego assumiu uma função estritamente utilitária de sustentação financeira: “Eles me dizem: ‘Eu só quero um trampo para me sustentar’ (…) Então já temos de nos conscientizar que essa geração não vai parar em uma mesma empresa. Não tem volta!”. Comparou ainda a estrutura familiar atual a um porta-aviões: “Quem tem filho hoje é porta-aviões singrando os mares! E os filhos são aviõezinhos que saem para ter experiências e quinze anos depois do aviãozinho ter saído, se tiver um problema lá no futuro com chefe tóxico ou desilusão amorosa, eles voltam para casa”.

Schneider enfatizou também o conceito de “Digiriatria” (geriatria digital, termo criado por ele em 2007) e alertou que a transição atual coloca todos na “adolescência do futuro” – um período de convivência conturbada entre duas eras (a vertical, do passado; e a horizontal, do presente). Encerrando sua reflexão, destacou que a Geração Z exercerá um papel crucial como ponte geracional nas organizações: “A mediação vai ser feita pela Geração Z, que já está entre nós, nos acha muito estranhos, mas já entendeu como trabalha com a gente. Eles é que vão segurar o rojão da Geração Alfa!”.

E concluiu com um apelo à conscientização e ao resgate do respeito nas relações diárias: “Nós temos de começar a resgatar a vontade de servir e cuidar das crianças imediatamente. Não fique com o celular na frente da criança, pelo amor de Deus!”

Integração e programação da tarde

Após a palestra de Dado Schneider, a programação seguiu com o almoço com mentoria e mesas-redondas reservadas com os palestrantes do dia. À tarde e à noite, os participantes aproveitaram o torneio de vôlei, além do Sunset Simpovidro, atividade à beira-mar que aproveitou as belezas do Costão do Santinho Resort.

Acompanhe tudo sobre o evento aqui no portal da Abravidro e nas redes sociais da entidade. A cobertura completa estará também na edição de novembro da revista O Vidroplano.

Crédito da foto: Marcos Santos e Andreia Naomi

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