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Cerimônia de abertura do 17º Simpovidro debate caminhos para o mercado

Dirigentes da Abravidro, AGC, Cebrace, Guardian e Vivix subiram ao palco no Costão do Santinho Resort, em Florianópolis, para dar início à edição 2026 do maior 'hub' de relacionamento da cadeia vidreira nacional
Por Redação Abravidro
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Cerimônia de abertura do 17º Simpovidro debate caminhos para o mercado

Começou hoje (5), no Costão do Santinho Resort, em Florianópolis, o 17º Simpovidro. Organizado pela Abravidro, o evento reúne centenas de empresários, industriais e executivos vidreiros de todas as regiões do País para quatro dias de relacionamento, geração de negócios e conteúdo.

Este ano, a solenidade de abertura, na Plenária Simpovidro, teve um novo formato: ao invés dos tradicionais discursos proferidos pelas quatro representantes das usinas de base instaladas no Brasil, a cerimônia contou com um talk especial, reunindo os executivos dessas empresas: Isidoro Lopes, presidente da AGC e diretor-geral da usina para Vidros Arquitetônicos para a América do Sul; Lucas Malfetano e Wiltson Varnier, diretores-executivos da Cebrace; Eliane Pereira, diretora-executiva da Guardian; e Henrique Lisboa, presidente da Vivix.

União da cadeia 

Antes do talk, o presidente da Abravidro, Victor V. Casaca, subiu ao palco para dar as boas-vindas aos participantes e destacar o papel do Simpovidro como espaço de integração, troca de experiências e fortalecimento do setor.

Em sua fala, Casaca relembrou sua trajetória no evento e ressaltou como o simpósio contribuiu para transformar as lideranças do mercado: “Eu e meu irmão pegamos um avião para participar de um evento em que nunca tínhamos estado antes. Conhecíamos pouquíssimas pessoas, nenhum diretor da nossa entidade ou das usinas, e tínhamos um objetivo claro: ampliar nossos contatos comerciais e entender o que estava acontecendo nas principais empresas do setor. Anos depois, posso afirmar com absoluta certeza: este evento transforma empresas, negócios e trajetórias”.

Além de apresentar diversas frentes de atuação da entidade, como a defesa dos interesses do segmento em Brasília, os cursos de capacitação técnica e de gestão e o trabalho do ABNT/CB-37 para a elaboração e revisão das normas técnicas vidreiras, o presidente reforçou que a integração entre os diferentes agentes da cadeia é fundamental para o desenvolvimento. “Somar forças onde convergimos e buscar entendimento onde divergimos é o que faz o nosso setor avançar”, afirmou. “A Abravidro representa um mercado que consome mais de dois terços do vidro plano produzido no País. Essa relevância nos dá legitimidade para sermos ouvidos e, ao mesmo tempo, exige a nossa união.”

Casaca lembrou ainda a importância do simpósio para o relacionamento entre os empresários: “Faço um pedido direto a todo o time executivo dos fornecedores: abram suas agendas nestes dias. Busquem conversar com o maior número possível de processadores e empresários, especialmente com aqueles que não tiveram a oportunidade de conhecer e ouvir. Essas conversas geram negócios, e ninguém entende melhor o futuro do nosso setor do que quem se dedica a ouvir o seu cliente”.

Perspectivas para o mercado

Após o discurso de Casaca, deu-se início ao talk com as usinas, conduzido pela superintendente da Abravidro, Iara Bentes. Os representantes das empresas responderam a perguntas sobre temas relevantes para o mercado e o dia a dia da cadeia vidreira. Confira a seguir um resumo das perspectivas para o futuro do setor.

O ano de 2026 e as expectativas para 2027

  • AGC

Ao avaliar o desempenho dos mercados em 2026, Isidoro Lopes destacou a construção civil e o transporte como os segmentos que apresentaram melhor resposta e devem continuar promissores. “Esperamos melhora no endividamento das famílias e aumento do crédito. Vemos também um aumento nos produtos do segmento de linha branca. Controle solar também vai ganhar mercado, com melhor desempenho e conforto. De igual modo a família de laminados, como o acústico, o temperado e os produtos de segurança. Acompanhamos o aumento também das aplicações das normas, da aplicação do vidro certo e estamos conversando com os processadores, clientes e todos estão muito alinhados com isso.”

  • Vivix

Para Henrique Lisboa, o início do ano contou com uma grande entrada de produtos importados, o que impactou os preços do mercado. “Para as usinas, houve ainda pressão nos custos depois da guerra no Irã, com aumento do petróleo e dos fretes internacionais. Além disso, outro fato relevante foi a imposição da tabela de frete com preços mínimos”. Esse cenário que não se previa, junto com a situação econômica nacional (incluindo juros altos e endividamento das famílias), de acordo com Lisboa, mostra que o consumo de vidro plano para construção deve se retrair em 2% este ano. “O mercado andará de lado em 2026. Também esperávamos um aumento da demanda no segundo semestre, mas isso não veio. No entanto, tivemos uma evolução interna e tecnológica na empresa em questões como eficiência energética e aposta na qualificação. Isso mitigou os aspectos negativos vistos até aqui.”

  • Guardian

Eliane Pereira avaliou que o ano foi desafiador para a usina. A expectativa de um segundo semestre mais aquecido, com novas demandas, não se confirmou, mas a empresa mantém seus planos de crescimento e apoio aos parceiros. “Tínhamos a expectativa de um segundo semestre mais animado e de mais desafios até por causa do cenário global esperado. Mas quando fazemos um balanço do ano, concluímos que o ano foi bastante desafiador. Mas precisamos aprender com esses desafios. E não veio essa expectativa, esse ano de novas demandas. Mas a Guardian pretende continuar crescendo e apoiando nossos parceiros para que a gente consiga fazer o nosso setor crescer.”

  • Cebrace

Lucas Malfetano acredita que 2027 será um ano sem muitas expectativas. “Teremos um crescimento, mas nada muito grande”, afirmou, indicando que o setor precisa, independentemente das questões políticas nacionais, seguir sua própria agenda de valorização do vidro. “Vejo três pilares para sustentar o crescimento do mercado: a construção civil – o programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, ainda oferece muito fôlego em volume; o setor industrial, como a linha branca e o moveleiro; e, o mais importante de longe, a valorização do produto”, analisou. 

Investimentos

  • Vivix

Sobre os planos de expansão da Vivix, Henrique Lisboa afirmou que a empresa aguarda sinais mais claros de demanda antes de executar novos investimentos que exijam planejamento a longo prazo. “Nós não acreditamos que seja o momento de executar investimentos. Para isso, é preciso ter sinais mais claros da demanda do mercado. E não podemos colocar em produção adicionais se o mercado não precisa. Vamos aguardar o momento correto para fazer esse investimento.” Questionado sobre a operação envolvendo o Itaú, o executivo esclareceu que se trata de uma operação de crédito, sem participação na gestão da companhia. “O Itaú é um grande parceiro do grupo, mas essa operação foi uma operação de crédito sem direito a voto. Isso não muda nada nem para a gestão e nem para os nossos clientes. Já temos outras parcerias com o Itaú e isso evidencia a qualidade do nosso negócio, pois o Itaú é uma grande empresa e bem-posicionada na Bolsa.”

  • AGC

Isidoro Lopes confirmou que o investimento da empresa em uma linha de laminados, anunciado no ano passado, já está especificado. “A gente precisa pensar a longo prazo, pois temos de atender o mercado daqui a quinze ou vinte anos com essa linha. Ela que será para vidros de tamanho jumbo”, explicou. O foco do investimento, segundo ele, é o mercado brasileiro – caso haja demanda, poderá atender também outros países da América do Sul. “Em relação ao prazo, no início de 2028 devemos estar esquentando a linha para começar a produzir”, revelou.

  • Guardian

Sobre a manutenção do forno de Tatuí (SP), Eliane informou que os trabalhos estão na reta final e dentro do planejamento. “É um investimento importante e reforça o compromisso que temos com a região”. A executiva também mencionou investimentos em tecnologia e inteligência artificial, incluindo a ferramenta de IA Claria, desenvolvida para ampliar a proximidade e o suporte técnico aos clientes. “Nós não comentamos os investimentos, mas temos vários investimentos em tecnologias, para ter mais proximidade com os clientes. Depois vamos ter um time que vai suportar essa conversa técnica com eles.”

Mercado de vidros de valor agregado

  • AGC

“O desenvolvimento se dá por meio do conhecimento levado a toda a cadeia e aos especificadores. Quem está na ponta, instalando vidro, falando com quem decide, não tem esse conhecimento. Então, precisamos fazer isso acontecer, com a ajuda da Abravidro, Abividro e outros players”, analisou Isidoro. “Cerca de 70%, 80% do nosso mercado é de vidro incolor. Mas, mesmo assim, precisamos ser otimistas, não pensar que o mercado é pequeno. Além disso, quando virmos um vidro com filme aplicado, temos de nos perguntar: ‘Onde falhamos para que o vidro correto, que é o de controle solar, não fosse usado?’.”

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Panorama (meio da notícia)
  • Cebrace

Wiltson Varnier comentou o desenvolvimento do Atmos, primeiro vidro de baixo carbono da América do Sul. “Esse é um esforço de anos da equipe da Cebrace. Todo o trabalho de revisar o déficit de materiais, colocar biometano na matriz energética e utilizar massivamente materiais reciclados começou há anos. Não existia mercado para ele, mas agora existe, pois empresas e projetos valorizam esse tipo de solução.”

Lucas Malfetano analisou também o mercado de vidro insulado, produto que para ele é a principal oportunidade que temos como setor. “Em outros países da América do Sul, o insulado é um dos principais processos de evolução. No Brasil, como mostra o Panorama Abravidro, estamos apenas em 1% do mercado, considerando o vidro de refrigeração”, apontou. “É preciso mudar a percepção de valor do produto. O que se repete é que o insulado é um produto caro, que o Brasil não precisa dele, que os clientes não estão preparados. Hoje a gente precisa mostrar números para arquitetos e especificadores, mostrar quanto vai economizar, quanto vai melhorar a acústica. Não é que o payback seja rápido: ele é imediato.”

Defesa comercial

  • AGC

Isidoro agradeceu à Abividro pelo trabalho que lidera em parceria da Abravidro. “Infelizmente esse é um processo lento, de esperar o dano antes de colocar uma proteção. O dano ocorre, empregos estão sendo perdidos, investimentos postergados. Por isso, temos de aplicar mais medidas de dumping provisório, por exemplo, assim como fortalecer o Decom com tecnologia e digitalização dos processos. O caminho é a agilidade”, analisou.

  • Guardian

Ao abordar o equilíbrio entre proteção comercial e concorrência, Eliane defendeu a ideia de que a competição é saudável. “Não somos contra a competição, mas elas precisam ser feitas nas mesmas regras. Se você compete na mesma linha, o diferencial no final do dia para o cliente vai ser na qualidade e no atendimento. Mas quando não são iguais, elas não vão ser justas e isso é prejudicial ao mercado. E tudo que a gente quer é desenvolver o mercado aumentando a fatia do bolo.”

  • Cebrace

“Não somos contra a importação, mas existem distorções que precisamos atacar”, explicou Lucas Malfetano. “Se não estamos juntos, não conseguiremos defender a indústria do Brasil no geral.” Ele lembrou que existem sete medidas de proteção em vigência, com mais sete ou oito que podem se tornar realidade. “O antidumping da Malásia chegou quando o país não fabricava mais para o Brasil. Então, a gente não pode descansar até achar um caminho para a concorrência justa. Afinal, são poucos países no mundo com quatro fabricantes para atender o mercado, como nós temos aqui.”

  • Vivix

Para Henrique Lisboa, a pauta da defesa comercial precisa ganhar mais força no ano que vem: “Tudo que falamos de agilidade está limitado pelas regras e legislações vigentes – e isso está sendo questionado no mundo todo. Uma solução seria alterar as regras do País para aumentar as taxas de importação com maior facilidade. Essa mudança é fundamental para proteger também o vidro processado”.

Sustentabilidade

  • Guardian

Eliane Pereira revelou que, atualmente, existe uma busca muito maior pelo time técnico da usina para auxiliar em especificações mais sustentáveis. “Oferecemos suporte técnico para dar um retorno rápido. Se isso não ocorrer, acabamos sendo detratores do mercado”, alerta. Segundo ela, geralmente quem procura uma fabricante já conhece esse tipo de produto. “Minha recomendação aos parceiros processadores é: usem os times técnicos das usinas, tenham proatividade para alertar o cliente sobre soluções para o desenvolvimento do mercado.”

  • AGC

As usinas investem no uso de vidro reciclado na produção de novos produtos – mas isso passa também pela participação de outros elos da cadeia, como comentou Isidoro Lopes. “O cuidado na coleta dos cacos é muito importante para fazê-los chegar de volta ao forno. Vejo baixa participação de clientes nesse sentido. Quando olho caçambas, vejo desperdício de matéria-prima, com tipos de vidro misturados. Não é preciso muito, basta uma organização simples da empresa”, apontou.

  • Cebrace 

Ao falar sobre a Declaração Ambiental de Produto (EPD) publicada pela Cebrace para o Atmos, Wiltson destacou a importância de informações verificadas e com credibilidade para impulsionar a sustentabilidade na cadeia vidreira. “Não dá para ser entusiasta, precisamos agir, ter informação e credibilidade, e passar por um crivo externo. A EPD é isso e ela serve como uma base para o que está por vir e serve para as certificações ambientais. Já tem cliente buscando essa informação e os processadores precisam estar preparados para oferecer essas informações. A nossa EPD do Atmos é um símbolo para nós e motivo de orgulho”. Wiltson acrescentou que a declaração também considera a contribuição do vidro ao longo da vida útil das edificações e reforçou a necessidade de engajamento da cadeia.

  • Vivix

Ao comentar as iniciativas de descarbonização da Vivix e as perspectivas para a cadeia de processamento, Henrique destacou a importância de as empresas se prepararem para as futuras exigências e oportunidades relacionadas às certificações ambientais. “Haverá certificações subsidiadas que terão de estar atentas para aproveitar isso no futuro. Ainda vai demorar, está na base, mas precisamos estar preparados.”

Início da programação

Após o encerramento da cerimônia, os participantes foram recepcionados no tradicional coquetel de abertura, promovendo o primeiro momento de confraternização e networking do simpósio.

A programação do 17º Simpovidro continua na manhã da sexta-feira (dia 6), com dois talks (o primeiro terá o tema Energia: muito além do preço – Riscos, oportunidades e decisões estratégicas para as empresas; já o segundo abordará Para onde vai o mercado do vidro? Uma visão global sobre os movimentos que podem redefinir o setor) e a palestra Gestão – O paradoxo da geração Z e a alta performance no trabalho, ministrada por Dado Schneider.

Acompanhe tudo sobre o evento aqui no portal da Abravidro e nas redes sociais da entidade. A cobertura completa estará presente também na edição de novembro da revista O Vidroplano.

Crédito da foto: Marcos Santos e Andreia Naomi

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