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17º Simpovidro: executivos internacionais analisam rumos do mercado global de vidros planos

Painel reuniu lideranças da AGC e do Grupo NSG para discutir tendências, inovação e movimentos que podem redefinir a indústria
Por Redação Abravidro
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17º Simpovidro: executivos internacionais analisam rumos do mercado global de vidros planos

O segundo painel desta sexta-feira (6) no 17º Simpovidro trouxe para o palco da Plenária Simpovidro uma visão ampla e estratégica sobre a indústria internacional de vidros planos. Davide Cappellino, presidente da Divisão de Arquitetura da AGC Europa e Américas, e Leopoldo Castiella, chefe de Vidro Arquitetônico SBU Global e vice-presidente-executivo do Grupo NSG, participaram do talk Para onde vai o mercado do vidro? Uma visão global sobre os movimentos que podem redefinir o setor. Conduzido pelo presidente da Abravidro, Victor V. Casaca, e pela superintendente da entidade, Iara Bentes, o debate analisou as tendências mundiais de consumo, inovação e dinâmica de oferta.

Visão do mercado

Os dois convidados conhecem profundamente o setor vidreiro nacional: Cappellino liderou o início da operação da AGC no Brasil até 2016; já Castiella foi diretor-executivo da Cebrace por treze anos – e também esteve à frente da Vasa (Vidriería Argentina). 

Por conta do know-how internacional de ambos, a conversa teve início com uma pergunta sobre as perspectivas do segmento para o futuro. “O que vejo hoje é um senso de urgência na cadeia de valor do vidro de que alguma coisa está mudando em nosso negócio. O futuro, sem dúvida, vai ser diferente em termos de produtos e de estrutura de mercado”, refletiu Cappellino. Castiella, por sua vez, elogiou a capacidade de adaptação e flexibilidade da cadeia brasileira: “Ontem, eu ouvi com atenção os diretores das fábricas, os quais colocaram todas as suas preocupações e os desafios do mercado brasileiro. Quero dizer para vocês que estão com sorte, porque os desafios encontrados em outras regiões são muito mais complexos”.

Competitividade nacional

Um elemento que interfere intensamente no mercado de nosso país são os custos com energia. Para Cappellino, se compararmos o custo total de produção do Brasil com o de outros países, estamos sem dúvida abaixo dos países mais desenvolvidos, como Estados Unidos, os países da Europa e Japão. “Mas há uma diferença grande. Observamos no mundo que muitos investimentos se concentram em países com baixo custo energético. A Indonésia, grande exportadora para cá, tem a energia muito mais barata. Neste momento, há quatro fábricas de float sendo construídas na Península Arábica, onde o gás é praticamente de graça”, explica. “Agora, olhando para o produto processado, o custo mais crítico é o uso ineficiente dos ativos na cadeia. Todo o setor investiu em capacidade produtiva que hoje, pela evolução do mercado, não está totalmente saturada. Nos próximos anos, haverá uma grande oportunidade para utilizar melhor os ativos existentes.”

Vantagens do mercado nacional

De acordo com Leopoldo Castiella, nossa competitividade também é afetada por questões globais. “Os conflitos internacionais, como as guerras no Irã e na Ucrânia, trazem consequências sérias: o aumento nos custos de energia e logística propaga a inflação em todos os produtos. Para conter a inflação, os bancos centrais elevam as taxas de juros, gerando um ciclo negativo – e juros altos tornam os financiamentos da construção civil mais caros”, alerta. “Toda essa situação afeta diretamente nossos custos e reduz a dinâmica da demanda. Reequilibrar o cenário levará tempo, e depende da pacificação dos conflitos globais.”

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No entanto, existem diferenciais encontrados somente na indústria vidreira do Brasil, como a capacidade de serviço e de entrega rápida da cadeia de processamento: “É impressionante como os temperadores daqui entregam pedidos customizados sob medida em velocidade recorde, algo raro de se ver em outras localidades”.

Defesa comercial

Segundo os dois convidados, a urgência em defesa comercial é máxima – afinal, o preço do vidro processado importado chega ao Brasil quase no mesmo valor pago pela matéria-prima float. “Na Europa, as autoridades anteriormente mantinham portas abertas a produtos importados, mas a sobrecapacidade chinesa e as tarifas dos EUA mudaram essa percepção. Estamos pleiteando medidas de defesa que cubram toda a cadeia de valor (float, espelhos, vidros processados e produtos acabados) para evitar que o importador burle a tarifação mudando a NCM [Nomenclatura Comum do Mercosul] do produto”, comentou Cappellino.

“Cabe destacar que o órgão de defesa comercial no Brasil, o Decom [Departamento de Defesa Comercial], realiza um trabalho técnico e sério. Países no mundo todo (incluindo os EUA, Austrália, África do Sul e outros europeus) têm adotado medidas antidumping rigorosas contra a China, como ocorreu no setor de painéis solares. Precisamos acelerar os mecanismos de proteção no Brasil e na América Latina”, concluiu Castiella.

Feira de Oportunidades e mentoria

Ao término do painel, ocorreu a palestra de Dado Schneider sobre Gestão – O paradoxo da geração Z e a alta performance no trabalho. Na sequência, os participantes visitaram a Feira de Oportunidades, onde puderam interagir com as empresas apoiadoras. 

Acompanhe tudo sobre o evento aqui no portal da Abravidro e nas redes sociais da entidade. A cobertura completa estará presente também na edição de novembro da revista O Vidroplano.

Crédito da foto: Marcos Santos e Andreia Naomi

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