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17º Simpovidro: painel debate como IA pode trazer resultados para a indústria vidreira

Talk reuniu especialistas para demonstrar casos reais de aplicação dos conceitos da inteligência artificial em nosso segmento
Por Redação Abravidro
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17º Simpovidro: painel debate como IA pode trazer resultados para a indústria vidreira

O painel IA na indústria vidreira – Menos promessa, mais resultado – Casos reais de aplicação na cadeia do vidro abriu a programação de conteúdo técnico deste sábado no 17º Simpovidro. Conduzido pela superintendente da Abravidro, Iara Bentes, o talk mostrou, na prática, como as empresas do nosso setor podem explorar o potencial da inteligência artificial. Participaram do debate Tiago Amor, CEO da Lecom, plataforma pioneira em hiperautomação; Aristóteles Terceiro Neto, gerente de Transformação Industrial da Vivix; e Betânia Isquierdo Danelon, gerente de Desenvolvimento de Mercado de Arquitetura para a América do Sul da Guardian. 

Na abertura das perguntas, Iara destacou a evolução do uso dessas ferramentas desde a edição do encontro vidreiro de 2024. “No último Simpovidro também falamos de IA, mas vemos uma evolução muito grande do uso dessas tecnologias no dia a dia das empresas de lá para cá. E o nosso objetivo hoje é exatamente isto: trazer ideias aqui para que todos possam utilizar positivamente essa tecnologia nas suas rotinas”, afirmou.

Tecnologia precisa gerar resultados

Tiago Amor foi o primeiro a responder às indagações da mediadora, destacando que o acesso à inteligência artificial está cada vez mais democratizado. Para ele, o diferencial competitivo das empresas deixou de ser “a vantagem de ter uma tecnologia disponível” e passou a estar na capacidade de aplicá-la aos processos e às pessoas. “A tecnologia já existe, está tá na boca do povo e na mão das pessoas. Nunca na história da humanidade fomos tão empoderados com a tecnologia.”

O executivo também explicou que a IA pode ser utilizada de três formas nas organizações: para consultas e pesquisas; análise de dados e geração de informações estratégicas; e execução autônoma de tarefas operacionais. Nesta última aplicação, a ferramenta pode assumir atividades repetitivas e liberar os profissionais para funções de maior valor.

Aristóteles Neto reforçou que simplesmente disponibilizar ferramentas aos colaboradores não significa transformar a operação. “A gente pode entregar ChatGPT, Copilot e Claude na mão dos nossos colaboradores e no final não identificar mudança real na operação, no processo ou na nossa experiência do cliente”, alertou. Segundo ele, a adoção da IA precisa estar ligada exatamente a esses objetivos concretos, como melhorar a qualidade e a agilidade dos processos, otimizar custos e aprimorar a experiência do cliente.

Betânia Isquierdo Danelon também ressaltou que a tecnologia deve ser incorporada à estratégia das empresas, sem substituir o conhecimento humano. “A estratégia é feita por pessoas, e a gente não está substituindo o conhecimento que cada um de nós tem sobre o tema e para onde quer carregar o nosso negócio”, afirmou. Ela alertou que a IA pode acelerar resultados, mas, se a estratégia estiver equivocada, também pode acelerar na direção errada.

Aplicações na cadeia do vidro

Os painelistas apresentaram exemplos de como a inteligência artificial já está sendo utilizada na indústria. Na Vivix, uma das iniciativas é a manutenção preditiva, que combina tecnologia com o conhecimento de técnicos e engenheiros para antecipar falhas em equipamentos. Segundo Aristóteles Neto, a solução permitiu reduzir a zero as paradas não planejadas no processo produtivo. “O objetivo é identificar realmente um processo que vai ter ganho, aquela dor principal que, se você colocar inteligência artificial embarcada, ele vai realmente agilizar um ponto”, explicou.

A empresa também desenvolveu o Vivix Facilita,  portal que integra as áreas comercial, logística e operacional para agilizar o atendimento e o tratamento de demandas dos clientes. Para o executivo, a transformação digital precisa ser entendida como parte da estratégia empresarial: “Tecnologia não pertence à área de TI [tecnologia da informação], tecnologia agora faz parte da estratégia do negócio, faz parte da discussão dos donos”, pontuou Neto.

Betânia, por sua vez,  apresentou a Claria, assistente virtual desenvolvida para responder dúvidas técnicas de clientes e colaboradores, com base nas informações oficiais da Guardian. A ferramenta também pode auxiliar na consulta de especificações de produtos e requisitos de normas técnicas. Outra aplicação envolve a simulação digital de vidros em fachadas, permitindo visualizar características estéticas e de desempenho. “Por meio da Claria eu consigo simular esteticamente essas amostras aplicadas em uma edificação e agilizar o processo. Se a nossa estratégia é dar maior conhecimento para a cadeia e trazer visualmente o que os nossos produtos entregam, por meio dessa inteligência artificial conseguimos acelerar isso na direção correta”, contou.

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Tiago Amor também destacou o potencial da automação para integrar diferentes sistemas e melhorar processos comerciais e administrativos. Entre as possibilidades para as empresas vidreiras estão centralizar pedidos recebidos por WhatsApp, e-mail e outros canais, identificar oportunidades de vendas e automatizar tarefas como emissão de notas fiscais, cadastro de clientes e conciliação bancária. “O fluxo tá digital, está automatizado e permitiu resolver o problema sem inchar a equipe”, comentou, ao citar um projeto da sua empresa de automação desenvolvido no portal Gov.br.

Pessoas no centro da transformação

Outro ponto discutido pelos participantes foi a necessidade de preparar as equipes para trabalhar com as novas ferramentas. O gerente da Vivix chamou a atenção para a importância da análise crítica e experiência profissional na validação das informações produzidas pela IA. “Você pode ter um jovem que faz com muita facilidade uma apresentação visualmente impecável, mas se não houver a curadoria e o olhar crítico de quem conhece o negócio, ela pode vir acompanhada de dados incorretos ou inconsistentes”, ponderou Aristóteles Neto. 

Betânia defendeu a ideia de que a adoção da tecnologia deve acontecer de maneira gradual, respeitando a capacidade de adaptação das equipes. “Não precisamos começar fazendo tudo. Ou seja, começar querendo ter uma Mercedes; podemos ter aqui um carro popular e ir subindo gradativamente. Se a gente traz a Mercedes de cara, talvez assuste a equipe e ninguém saiba como dirigir”, exemplificou.

Tiago Amor pontuou ainda que a inteligência artificial pode ser utilizada por empresas de todos os portes, sem exigir investimentos elevados. O primeiro passo é desenvolver a familiaridade dos profissionais com as ferramentas. “Letramento não é só fazer curso; letramento é testar, permitir-se, contratar algo que dá certo, contratar algo que dá errado, e aprender com a evolução.”

Os convidados encerraram o painel destacando que a adoção da IA exige iniciativa, planejamento e responsabilidade. Betânia destacou que a adaptação tecnológica é necessária para a cadeia do vidro: “Avançar com a inteligência artificial não é opcional; ela veio para melhorar as nossas vidas e os nossos negócios”.

Aristóteles corroborou a visão de Betânia, mas alertou que as decisões e a responsabilidade final continuam nas mãos das pessoas. Já Tiago deixou uma mensagem aos empresários: “Não tenham medo: tenham cuidados. Aprendam, utilizem, incentivem o time e criem formas de caminhar.”

Acompanhe tudo sobre o evento aqui no portal da Abravidro e nas redes sociais da entidade. A cobertura completa estará presente também na edição de novembro da revista O Vidroplano.

Crédito da foto: Marcos Santos e Andreia Naomi

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