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Cresce demanda por chapas jumbo e de grandes dimensões

Processadoras impulsionam investimentos em tecnologia, infraestrutura, logística e segurança para atender o mercado
Por Redação Abravidro
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Cresce demanda por chapas jumbo e de grandes dimensões

Grandes fachadas envidraçadas, vãos livres e o mínimo de emendas transformaram as chapas jumbo e de grandes dimensões em protagonistas da arquitetura contemporânea. Mas, para que esses projetos saiam do papel, a indústria precisou promover uma revolução dentro das fábricas. O processamento dos maiores vidros comercializados atualmente no mercado brasileiro exige investimentos elevados, equipamentos específicos, áreas fabris adaptadas e um controle rigoroso de todas as etapas, da chegada da matéria-prima à entrega na obra.

Fábricas sob medida
O primeiro desafio para trabalhar com chapas de até 6 m de comprimento é a própria estrutura física da fábrica. “Precisamos de áreas amplas, corredores largos e espaços destinados exclusivamente à movimentação dessas peças. Sem isso, o manuseio das chapas praticamente se torna impossível, aumentando o risco de colisões e de acidentes graves”, afirma Elcio Santos, do Departamento Comercial da Brazilglass, empresa sediada no Vale do Paraíba (SP).

Na Lajeadense Vidros, de Lajeado (RS), a estrutura da empresa precisou ser preparada para receber esse novo tipo de demanda. Foi necessário contar com um pavilhão mais amplo, maior altura útil e áreas de circulação compatíveis com a movimentação de peças de grande porte.

“O armazenamento também exige cuidado específicos para preservar a integridade do vidro durante todas as etapas do processo”, explica a sócia-administrativa Roberta Lopes Arenhart. Na PKO Vidros, de Mogi das Cruzes (SP), o que antes era uma demanda pontual passou a fazer parte da rotina produtiva, exigindo uma reorganização completa dos fluxos internos. Por esse motivo, o layout da planta industrial também foi redesenhado. “O armazenamento dessas peças foge dos padrões convencionais e requer cavaletes metálicos reforçados, separadores de isopor e sistemas de proteção capazes de absorver vibrações e evitar lascas, trincas e outros danos durante o manuseio”, explica Diego Ribeiro, gerente de Produção da processadora.

De acordo com Renato Santana, coordenador de Controle de Qualidade e Lean da GlassecViracon, multinacional instalada em Nazaré Paulista (SP), o fluxo produtivo também precisa ser cuidadosamente planejado: “A peça só entra em produção quando há certeza de que seguirá todo o
fluxo até a expedição”.

A PKO precisou de estruturas especiais para o armazenamento das peças jumbo, o que exigiu um novo
layout na planta industrial (foto: Divulgação PKO)

Sem margem para falhas
Se a estrutura física representa o primeiro desafio, o segundo está nos equipamentos. O processamento de vidros jumbo exige máquinas desenvolvidas especificamente para essas dimensões e investimentos que vão muito além da aquisição de um forno de têmpera.

A operação demanda recursos elevados em pontes rolantes, braços mecânicos, equipamentos de movimentação, lapidadoras e demais máquinas compatíveis com chapas de grandes formatos. “Trata-se de um produto de alto valor agregado, mas também de alto custo de fabricação”, destaca Elcio Santos. Além disso, o tempo de processamento é muito maior.

Para Renato Santana, não basta adaptar equipamentos convencionais. “São necessários fornos de têmpera com tecnologia avançada de convecção para garantir estabilidade térmica, mesas de corte de alta precisão e linhas de laminação capazes de processar grandes formatos mantendo o padrão de qualidade. A tecnologia é indispensável para garantir repetitividade, produtividade e segurança.”

Segundo o especialista, trata-se de investimentos elevados e de longo prazo, que precisam fazer parte da estratégia da empresa. Entretanto, a tecnologia, por si só, não garante bons resultados. A eficiência operacional depende também de equipes altamente qualificadas, capazes de monitorar continuamente cada etapa do processo e reduzir desperdícios.

Como consequência, o controle de qualidade torna-se ainda mais rigoroso. Quanto maior a peça, menor a margem para erros. Na PKO, o protocolo inclui inspeção inicial para identificar defeitos ou empenamentos, verificação das condições dos rebolos antes da lapidação, monitoramento contínuo da têmpera, ajustes das receitas de processamento, controle das taxas de resfriamento e acompanhamento da autoclavagem na laminação. “Por fim, o manuseio é realizado sempre com redundância de segurança, porque qualquer falha pode representar um prejuízo significativo”, destaca Diego Ribeiro.

Na avaliação da GlassecViracon, o controle térmico durante a têmpera deve ser extremamente preciso para evitar distorções ópticas ou tensões capazes de provocar a quebra da peça. No caso dos laminados, o acabamento das bordas também exige atenção absoluta, já que
qualquer microfissura pode comprometer o desempenho estrutural do produto.

A adaptação industrial para atender esse mercado vem se consolidando ao longo dos últimos anos. Luiz Carlos Mossin, diretor-financeiro da LM Vidros, lembra que a empresa iniciou esse movimento ainda em 2011, quando adquiriu um forno de têmpera capaz de processar chapas de 2,6 x 5,4 m, além de duas linhas automáticas para vidros ainda maiores.

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Panorama (meio da notícia)
A Glassec destaca que grandes formatos exigem tecnologia e equipamentos avançados para garantir precisão
e segurança (foto: Divulgação Glassec)

Mercado em expansão
Antes das chapas com dimensões de até 3,21 x 6 m os projetos arquitetônicos que exigiam grandes superfícies envidraçadas eram limitados. Com a evolução tecnológica das processadoras e o amadurecimento do mercado ao longo das décadas, abriu-se espaço para obras cada vez mais ousadas.

Segundo Matheus Santos, engenheiro e especificador técnico da PKO, a demanda por vidros jumbo cresce ano após ano, acompanhando a evolução da arquitetura brasileira e o aumento do uso do vidro como elemento estrutural. “Projetos comerciais e residenciais passaram a utilizar um volume muito maior de vidros de grandes dimensões, muitas vezes acompanhando pés-direitos duplos ou superiores ao convencional. Isso permite criar amplas áreas envidraçadas, reduzindo a interferência visual e valorizando a integração entre os ambientes”, explica.

Além de residências de alto padrão, onde predominam grandes panos de vidro visando à integração com a paisagem, as chapas jumbo também vêm ganhando espaço em edifícios corporativos, shopping centers, hotéis e empreendimentos comerciais. Fachadas contínuas, vitrines monumentais, lobbies totalmente envidraçados e embasamentos com máxima transparência são algumas das aplicações mais frequentes.

O avanço desse mercado, no entanto, ainda esbarra em um desafio importante: a preparação da cadeia de distribuição. Embora as processadoras estejam cada vez mais capacitadas para fabricar vidros de grandes dimensões, Mossin avalia que muitas empresas responsáveis
pelo transporte, revenda e instalação ainda não acompanharam essa evolução. “Hoje, um dos maiores gargalos não está na indústria, mas na ponta final da cadeia. Poucas empresas possuem estrutura adequada para receber, movimentar e instalar chapas desse porte”, afirma.

Segundo Elcio Santos da Brazil Glass chapas de grandes formato são produtos de alto valor agregado
e alto custo de fabricação (foto: Divulgação Brazil Glass)

Logística
O transporte de chapas jumbo exige planejamento detalhado desde a definição das rotas até a chegada ao canteiro de obras. É preciso considerar restrições de altura em vias urbanas, interferências de redes elétricas, condições de acesso, capacidade de içamento e sequência de instalação. O sucesso desses projetos depende de uma atuação integrada entre todos os envolvidos. “É preciso que indústria, fabricantes de esquadrias, transportadoras, instaladores e construtoras trabalhem de forma coordenada para que todo o processo ocorra com segurança”, afirma Roberta Arenhart, da Lajeadense Vidros.

Na avaliação da GlassecViracon, processar chapas jumbo significa participar de uma engenharia compartilhada, em que cada etapa – da produção à instalação – influencia diretamente o resultado final. “O transporte exige equipe treinada, planejamento detalhado e uma entrega praticamente cirúrgica na obra”, pontua Santana.

Luiz Carlos Mossin da LM Vidros diz que embora as processadoras estejam cada vez mais capacitadas para fabricar vidros
de grandes dimensões, muitas empresas responsáveis pelo transporte, revenda e instalação ainda não acompanharam essa
evolução (foto: Divulgação LM Vidros)

Da fábrica à obra
À medida que as dimensões dos vidros aumentam, cresce também a responsabilidade técnica envolvida em sua especificação. Nesse contexto, o cumprimento da ABNT NBR 7199 — Aplicações de vidros na construção civil – Requisitos, torna-se indispensável.

Segundo Matheus Santos, é comum que as processadoras recebam projetos com especificações incompatíveis com as exigências normativas, principalmente em relação à espessura necessária para suportar as cargas de vento e as características estruturais de cada obra. “Recebemos frequentemente projetos com especificações fora da norma, muitas vezes por desconhecimento do comportamento do vidro. Orientamos os clientes sobre o tipo de produto mais adequado para cada aplicação e recomendamos que os cálculos sejam revisados por consultores ou responsáveis técnicos da obra”, frisa.

A GlassecViracon adota a mesma postura. Quando identifica inconsistências, a empresa orienta o cliente a encaminhar novamente o projeto ao especificador para revisão. “Nosso papel é somar experiência para que o produto final seja aplicado com total segurança”, afirma Santana.

Cinco tópicos de atenção no trabalho com vidros jumbo

  1. O projeto começa na especificação O uso de chapas jumbo deve ser previsto desde a concepção da obra, seguindo a ABNT NBR 7199 – Aplicações de vidros na construção civil – Requisitos em relação a fatores como pressão do vento, fixação e características estruturais.
  2. Estrutura faz toda a diferença O beneficiamento exige fábricas preparadas, com áreas amplas de circulação, equipamentos específicos e equipes treinadas para reduzir riscos de quebra e acidentes.
  3. Manuseio sem improvisos O armazenamento requer cavaletes reforçados, separadores e sistemas de proteção contra impactos e vibrações.
  4. A logística também faz parte do projeto Rotas de transporte, altura dos veículos, interferências de redes aéreas, acesso ao canteiro e operações de içamento devem ser avaliados antes do início da fabricação.
  5. Toda a cadeia precisa estar preparada O sucesso de um projeto depende da integração entre processadora, fabricante de esquadrias, transportadora, instaladora e construtora.

Este texto foi publicado originalmente na edição nº 643, de julho de 2026, na revista O Vidroplano

Foto de abertura: Divulgação GlassecViracon

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