O vidro que já cumpriu sua função em um edifício pode ganhar uma nova vida como matéria-prima para fabricar vidro plano. É o que demonstra um projeto realizado pela NSG Group, em parceria com a Associação dos Fabricantes de Vidro Plano do Japão (FGMAJ). A iniciativa conseguiu produzir vidro float a partir de resíduos coletados no mercado – um avanço diferente da reciclagem de cacos gerados durante a produção ou o processamento do vidro, prática já amplamente difundida no setor.
Para a avaliação, foram recuperados vidros de um edifício da Universidade de Tóquio. O material era composto por vidro temperado de 12 mm, com impressão cerâmica e película de segurança. Após a triagem e a retirada da película, parte dos cacos foi levada ao forno float da fábrica da NSG de Chiba, no Japão.
Os testes mostraram que, em determinadas condições, o vidro recuperado pode ser usado como matéria-prima sem prejudicar a qualidade do produto ou a operação do forno. O resultado comprova a viabilidade da chamada reciclagem horizontal – quando um produto de vidro que chegou ao fim da vida útil volta à cadeia para dar origem a um novo produto de vidro.
Desafios da reciclagem
Resíduos de vidro vindos de demolições costumam trazer um desafio a mais: podem conter películas, metais e outros materiais que dificultam sua volta ao processo produtivo. Nesse projeto, no entanto, mesmo com a presença da película de segurança, foi possível removê-la por meio de processamento e operações manuais. Assim, parte do vidro pôde seguir para o forno da fábrica de Chiba.
Para Tsuyoshi Seike, presidente do Subcomitê de Reciclagem de Vidro Plano e Recuperação de Recursos da FGMAJ, a necessidade de avançar rumo à neutralidade de carbono tem levado o setor a buscar novas formas de aproveitar o nosso material. “O vidro coletado no mercado apresenta muitas especificações diferentes, cada uma trazendo desafios de triagem, coleta e controle de qualidade. Espero que a indústria continue abordando essas questões uma a uma e avance com consistência no desenvolvimento da reciclagem de vidro”, afirma Seike.
Foto: Divulgação NSG










