As pequenas indústrias brasileiras encerraram o terceiro trimestre de 2026 com o pior nível de situação financeira em mais de cinco anos. Pressionadas pela elevada carga tributária, pelos juros altos e pelas restrições ao crédito, as empresas de pequeno porte também registraram queda no desempenho geral no período. É o que revela a última edição do Panorama da Pequena Indústria (PPI), divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O índice de situação financeira das empresas de pequeno porte caiu 0,9 ponto em relação ao segundo trimestre, alcançando 38,5 pontos — o menor resultado desde o primeiro trimestre de 2021 e 0,3 ponto abaixo da média histórica da pesquisa. O índice de desempenho da pequena indústria também recuou, passando de 45,2 para 44,3 pontos no terceiro trimestre. O resultado reflete retração no volume de produção, no uso da capacidade instalada e no nível de emprego.
Para Júlia Dias, analista de Políticas e Indústria da CNI, o elevado custo do dinheiro é o principal fator de pressão sobre o caixa das empresas. “O ambiente de crédito ainda é muito restritivo, principalmente por causa da elevada taxa de juros. As pequenas indústrias sofrem ainda mais para conseguir crédito e, mesmo quando acessam, não conseguem o valor que necessitam”, avalia. A especialista ressalta que as dificuldades financeiras dos fornecedores de menor porte afetam a competitividade e o abastecimento de toda a cadeia produtiva.
Entre os principais entraves apontados pelos empresários da indústria de transformação no terceiro trimestre, a elevada carga tributária manteve a liderança, mencionada por 41% dos entrevistados. Na 2ª posição, a demanda interna insuficiente saltou da 6ª colocação para 26,6%. A falta ou o alto custo de matéria-prima (26,2%), as taxas de juros elevadas (25,4%) e a competição desleal (20%) completam a lista das principais dificuldades enfrentadas pelo setor.
O cenário também continua afetando a confiança dos empresários. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) das pequenas empresas registrou 46,8 pontos em outubro. Apesar do avanço em relação a setembro (44,4 pontos), o indicador permanece abaixo da linha dos 50 pontos pelo 23º mês consecutivo. Já o Índice de Perspectivas ficou em 46,6 pontos, sinalizando que os empresários continuam cautelosos em relação a investimentos e novas contratações nos próximos meses.
*O indicador considera “pequena indústria” empresas que contam com 10 a 49 empregados.
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