Construção civil avança 1,3% em 2025 e CBIC estima alta de 2% em 2026

Juros recordes e preocupação com a Reforma Tributária impediram crescimento maior no ano passado. Para este ano, entidade vê cenário para incremento maior
Por Redação Abravidro
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Construção civil avança 1,3% em 2025 e CBIC estima alta de 2% em 2026

A construção civil brasileira encerrou 2025 com crescimento estimado de 1,3%, abaixo dos 4,2% registrados em 2024, segundo dados divulgados nesta terça-feira, dia 11, pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Até o terceiro trimestre, o setor avançou 1,7%, refletindo os impactos da alta taxa de juros do País – a maior no patamar em quase 20 anos.

A perda de dinamismo também apareceu na cadeia produtiva. No acumulado dos onze primeiros meses de 2025, o volume de vendas do comércio varejista de materiais de construção recuou 0,2%, enquanto a produção de insumos típicos do setor caiu 0,9%, em comparação ao mesmo período de 2024. Ao mesmo tempo, o custo da construção seguiu acima da inflação, pressionado principalmente pela alta da mão de obra. Por outro lado, os investimentos em infraestrutura somaram R$ 280 bilhões no ano, alta aproximada de 3%.

Em relação ao mercado de trabalho, a construção civil encerrou 2025 com cerca de 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, crescimento de 3,08% em relação a 2024. Ao longo do ano, o setor abriu 87.878 novas vagas formais, resultado 19,53% inferior ao registrado no ano anterior, sinalizando desaceleração no ritmo de contratações. São Paulo, Pernambuco e Bahia lideraram a geração de empregos na construção em 2025.

No quarto trimestre de 2025, a elevada carga tributária passou a ser apontada como o principal problema do setor, superando a taxa de juros, que ficou em segundo lugar. A falta ou o alto custo de mão de obra completam a lista. Para Fernando Guedes, presidente-executivo da CBIC, o avanço da Reforma Tributária trouxe incertezas adicionais.

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“A carga tributária alcançou o primeiro lugar como maior preocupação do empresário da construção porque estamos em um momento de transição da Reforma Tributária. Existem muitas dúvidas sobre como o novo modelo vai impactar o setor. Além disso, há questões como a tributação dos dividendos e a diminuição dos incentivos fiscais, especialmente no lucro presumido, muito adotado pelas empresas do nosso setor”, afirmou.

Durante a coletiva, Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destacou que a desaceleração também marcou a indústria de transformação, com impacto da Selic elevada sobre a demanda e os investimentos. “A indústria da transformação foi perdendo ritmo com a elevação da Selic, que se traduziu em redução da demanda ao longo do ano. Apesar da expectativa de queda da taxa, ela ainda deve permanecer em patamar elevado, o que continuará prejudicando a atividade industrial”, avaliou.

Projeções para 2026
De acordo com a CBIC, o setor da construção brasileiro deve apresentar, em 2026, um desempenho superior ao registrado em 2025. A expectativa é sustentada pela combinação de um conjunto de fatores: o início do ciclo de redução da taxa de juros, o orçamento recorde para habitação financiada pelo FGTS, novas contratações do programa Minha Casa, Minha Vida, a implementação do novo modelo de financiamento habitacional com recursos da poupança e os investimentos em infraestrutura. Nesse cenário, a entidade projeta crescimento de 2% para o setor neste ano, o que corresponderá ao terceiro ano consecutivo de alta.

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