Realizado em 9 de junho, no Edifício Touring, na região portuária do Rio de Janeiro, o 4º Congresso Brasileiro de Guarda-Corpo reuniu cerca de duzentos profissionais – entre arquitetos, engenheiros, especificadores, fabricantes, consultores e representantes de entidades setoriais – para o debate sobre segurança e conformidade normativa. Com o tema Onde a norma encontra a realidade, o evento reforçou a importância de aproximar as normas técnicas dos projetos e da execução para garantir ambientes mais seguros. A Abravidro esteve entre as entidades que apoiaram institucionalmente o encontro e também integrou a programação técnica por meio da participação de sua analista técnica, Clélia Bassetto.
Em sua apresentação, Clélia abordou as principais atualizações da ABNT NBR 7199 – Vidros na construção civil – Projeto, execução e aplicações e os critérios aplicados ao uso de vidros em guarda-corpos. Aproveitando o marco de um ano da publicação da nova ABNT NBR 7199, ela destacou mudanças como os critérios para dimensionamento de espessuras, as especificações para áreas adjacentes, portas e locais de grande circulação, além da retirada do vidro aramado da categoria de vidros de segurança. “Quis trazer essas alterações novamente para todo mundo para enfatizar a importância da norma e das mudanças que aconteceram há um ano, quando a norma foi publicada”, destacou.

Normas e segurança em foco
A atualização das normas técnicas também foi tema da palestra do engenheiro Robson Campos, representante da Associação Brasileira das Indústrias de Portas e Janelas Padronizadas (Abraesp) e secretário do comitê responsável pela revisão da ABNT NBR 14718 – Guarda-corpos para edificação – Requisitos, procedimentos e métodos de ensaio. Ele apresentou os avanços incorporados ao texto normativo para ampliar a proteção dos usuários.
Complementando a abordagem técnica, a engenheira Michele Gleice Silva, diretora do Instituto Tecnológico da Construção Civil (Itec), chamou atenção para a importância dos ensaios laboratoriais na validação dos sistemas de guarda-corpo. Ela relacionou a realização dos testes à prevenção de acidentes recentes provocados por instalações executadas fora dos parâmetros exigidos pelas normas.
O congresso também abriu espaço para temas ligados à engenharia e ao conforto dos ambientes. O engenheiro Crescêncio Petrucci Jr. apresentou conceitos aplicados ao desenvolvimento de projetos mais eficientes, enquanto Edison Claro de Moraes, diretor da Atenua Som e do Sindicato da Indústria de Esquadrias e Construções Metálicas do Estado de São Paulo (Siescomet), mostrou exemplos de guarda-corpos com vidros acústicos utilizados na China para contribuir com a redução da poluição sonora nos centros urbanos.
Mário William Ésper, presidente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ao abordar a cultura de conformidade e os desafios da certificação, afirmou que não vê razões para que os guarda-corpos deixem de ser enquadrados como produtos de registro compulsório.
Reflexões sobre cidades e mercado
As reflexões também avançaram para os campos da arquitetura, do urbanismo e dos negócios. O arquiteto Miguel Pinto Guimarães compartilhou aprendizados acumulados ao longo de três décadas à frente da MPG Arquitetura. Já o arquiteto, urbanista e filósofo Ciro Pirondi, diretor da Escola da Cidade, analisou a responsabilidade social na construção de cidades mais inclusivas.
Na área comercial, a engenheira Priscila Andrade provocou o público ao discutir os riscos de negociações baseadas exclusivamente em preço, sem a devida comunicação dos impactos técnicos, estruturais e jurídicos envolvidos.

Idealizado por Priscila Andrade e pelo engenheiro Vagner Bispo, o evento foi encerrado com uma mensagem de Bispo: “Se este congresso puder salvar apenas uma vida, por meio dos conhecimentos aqui compartilhados, nossa missão já terá sido cumprida.”
Fotos: Divulgação Opera Marketing & Eventos











