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Teatro na Austrália usa vidro para resgatar história ancestral

Queensland Performing Arts Centre possui vidro em sua fachada com design baseado na história ancestral do local
Por Redação Abravidro
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Teatro na Austrália usa vidro para resgatar história ancestral

A região de South Bank se transformou no centro cultural da cidade de Brisbane, na Austrália. Com uma abundante oferta de parques, museus e restaurantes, o bairro é o espaço ideal para passeios, nesse que é o terceiro município mais populoso do país localizado na Oceania. E um dos destaques arquitetônicos dali é, como não poderia deixar de ser, uma obra grandiosa com nosso material: o teatro Queensland Performing Arts Centre, projeto marcado por uma fachada de vidro ondulada e pela ambição de reformular a maneira como um grande edifício cultural interage com sua cidade.

Ligação ancestral
Desenvolvido pelo escritório australiano Blight Rayner Architecture, em parceria com o norueguês Snøhetta, o espaço, maior centro de artes cênicas da Austrália, é capaz de apresentar balé, dança, sinfonia, ópera, teatro e musicais para 1.500 espectadores. O projeto foi vencedor de um concurso internacional realizado em 2019 para a escolha do design da casa – e sua inauguração oficial ocorreu há pouco tempo, em março deste ano.

As formas do prédio estão interligadas às raízes locais: a ideia para a fachada ondulada surgiu de um poema em prosa escrito pela artista aborígine Lilla Watson, o qual fazia referência às ondulações do Rio Brisbane e aos peixes nadando sob a superfície. “Pensamos em fazer da fachada transparente um cenário para uma espécie de teatro público, onde as pessoas nos foyers seriam vistas da rua, ora com clareza, ora desfocadas. Queríamos também incorporar os primórdios das narrativas de nossos ancestrais, relacionadas ao contexto do projeto”, explica o diretor da Blight Rayner Architecture, Michael Rayner.

Ondas que encantam
Composta por dois níveis de painéis de vidro, totalizando mais de 14 m de altura, a fachada do Queensland Performing Arts Centre é um feito monumental da engenharia vidreira. Suas peças insuladas laminadas, fabricadas pela empresa austríaca Seele, têm dupla curvatura, com um raio mínimo reduzido de apenas 1 m.

Essa característica fez todo o processamento do material ser mais complexo que o normal. De acordo com a fabricante chinesa de maquinários NorthGlass, cujos equipamentos são usados pela Seele, mesmo o menor desvio nas dimensões das chapas seria amplificado ao longo da fachada, tornando o controle da anisotropia e da distorção óptica particularmente difícil. Graças a um controle total da produção, o vidro curvo aplicado na obra apresentou uma conformação de alta precisão, proporcionando um visual limpo e elegante.

Mas os vidros não oferecem apenas beleza estética, tendo sido projetados ainda para garantir um alto desempenho térmico. As faces da fachada que recebem luz solar direta ganharam um revestimento de cerâmica preta, que funciona como uma espécie de veneziana integrada para bloquear a penetração solar, minimizando também o ofuscamento interno.

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Panorama (meio da notícia)

Em resumo: uma obra-prima com vidro, existente graças à excelência tecnológica de nossa indústria.

Ficha técnica
Projeto: Queensland Performing Arts Centre
Local: Brisbane, Austrália
Arquitetura: Blight Rayner Architecture e Snøhetta
Fornecedor dos vidros: Seele
Conclusão da obra: março de 2026

Este texto foi publicado originalmente na edição nº 643, de julho de 2026, na revista O Vidroplano

Foto: Christopher Frederick Jones

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