Nex Soluções traz tecnologia estrangeira e estudos personalizados para o mercado nacional de vidro

Empresa aposta em engenharia de valor, integração de dados e estudos fabris personalizados para elevar a rentabilidade das processadoras
Por Redação Abravidro
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Nex Soluções traz tecnologia estrangeira e estudos personalizados para o mercado nacional de vidro

Fundada em 2023, a Nex Soluções Inteligentes nasceu da união entre a experiência de um engenheiro mecânico e a visão estratégica de um especialista em gestão industrial. A trajetória de seus fundadores, no entanto, começou muito antes da criação da marca. Jones Hahn, CEO da empresa, e seu sócio, Marcus Gonzaga, acumulavam cerca de quinze anos de vivência diária dentro de indústrias de processamento de vidro no Sul do Brasil, acompanhando de perto as demandas da construção civil e da linha branca. Por isso, a empresa conhece as necessidades da cadeia, atuando para supri-las.

Conhecimento em primeira mão
Foi justamente a vivência no chão de fábrica que definiu o posicionamento da Nex no mercado. “O momento da indústria vidreira hoje exige mais do que um equipamento de catálogo. Exige conhecimento para que o investidor realmente tenha resultado, e não apenas uma máquina dentro da fábrica”, afirma Jones Hahn.
A partir dessa visão, a companhia passou a atuar com foco em engenharia de valor, oferecendo automação integrada às beneficiadoras.
O trabalho de inserir tecnologia nas empresas começa com a assinatura de um termo de confidencialidade, garantindo sigilo sobre as estratégias industriais do cliente.

Em seguida, a equipe técnica desenvolve estudos personalizados de layout, fluxo produtivo e desempenho operacional, avaliando
se a automação realmente faz sentido para a realidade da empresa. “Nosso trabalho vai muito além da instalação de equipamentos.
Fazemos uma análise completa da operação para entender se o investimento se justifica e qual retorno pode gerar. Trabalhamos isso
com muita seriedade, inclusive formalizando em contrato as expectativas de payback”, destaca Hahn.

Segundo o executivo, nem todo projeto demanda automação. Em alguns casos, os estudos indicam que o investimento não seria viável para o perfil da operação; em outros, os ganhos poderiam ser expressivos ao se adotar novas tecnologias. Em um dos projetos conduzidos pela empresa que podem mobilizar cifras na casa dos R$ 30 milhões –, o estudo fabril previa reduzir uma operação, que hoje conta com mais de sessenta colaboradores, para uma estrutura automatizada operada por cerca de oito pessoas.

A empresa prioriza parcerias alinhadas aos seus valores e comprometidas com a entrega
de qualidade técnica (foto: divulgação Nex Soluções)

O cérebro da fábrica
Em um cenário no qual a falta de mão de obra qualificada se consolidou como um dos principais gargalos do setor, a automação passou a ser vista como um caminho quase inevitável para a indústria vidreira. Hahn, no entanto, alerta que investir em tecnologia sem planejamento técnico adequado pode gerar prejuízos milionários: “Conhecemos fabricantes e têmperas que precisaram desmontar toda a estrutura instalada porque o investimento foi falho. Existem muitas soluções, inclusive no mercado chinês, mas o que realmente faz diferença é o conhecimento técnico para conectar corretamente as necessidades do cliente aos fornecedores”.

Para lidar com esse desafio, a Nex aposta fortemente na integração entre automação industrial, gestão de dados e inteligência operacional. “A integração com ERP e o fluxo de dados são o grande segredo. E isso poucas empresas conseguem fazer, porque o mundo do vidro é
muito complexo”, explica Hahn. A empresa utiliza sistemas desenvolvidos em parceria com a Mac Glastech, integrados ao ecossistema de automação da Hanjiang, permitindo a comunicação entre diferentes equipamentos e etapas produtivas.

Com atuação focada em tecnologia e engenharia de valor, a Nex Soluções Inteligentes já comercializou mais de 115 equipamentos em menos de três anos (foto: divulgação Nex Soluções)

Tecnologia e inovações
Sempre acompanhando as tendências globais do setor, a Nex também foi uma das responsáveis por introduzir no Brasil, em 2023, a tecnologia de processamento a laser aplicada ao vidro. Atualmente, mais de quinze equipamentos já operam no País, principalmente em processos de
corte e furação. A expectativa da empresa é que a tecnologia avance rapidamente para aplicações mais complexas na construção
civil, especialmente em recortes especiais e peças de maior valor agregado.

Para compor seu portfólio, a Nex atua em parceria com fabricantes internacionais de diferentes segmentos da cadeia vidreira.
Segundo Hahn, porém, o alinhamento ético e técnico pesa tanto quanto a qualidade dos equipamentos. “Para nós, o nome da empresa é mais importante do que qualquer venda. Buscamos parceiros que tenham os mesmos valores e entreguem qualidade técnica de verdade”, afirma.

Conheça a Nex Soluções Inteligentes
– Instalada em Alto Feliz (RS), a cerca de 90 km de Porto Alegre
– Possui depósito próprio e base em São Paulo 11 colaboradores, entre projetistas, técnicos, vendedores e equipe administrativa
– Comercializou mais de 115 equipamentos em menos de três anos Já exporta tecnologia para Bolívia, Equador e Argentina
– Representa o grupo chinês Hanjiang (Mac Glastech), as americanas HB Fuller e Comern, a finlandesa Sparklight, as italianas Satinal e TK, além da espanhola Tecglass

“O empresário precisa entender que o mercado mudou drasticamente”
Jones Hahn, CEO da Nex Soluções Inteligentes, analisa os desafios da cadeia vidreira, o avanço da automação e a evolução tecnológica dos equipamentos chineses

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(foto: Pedro Amorim)

Quais são os grandes desafios enfrentados pela cadeia vidreira hoje no Brasil?
Jones Hahn – O principal desafio é a mão de obra. A falta de profissionais qualificados se tornou uma deficiência real e limitante para o setor. Outro ponto crítico é a guerra de preços. Falta estabilidade e competitividade mais saudável entre os processadores. Além disso, o mercado sofre com a interferência direta de produtos acabados vindos da China, o que impacta fortemente segmentos específicos, como o automotivo, o moveleiro e a linha branca. O empresário precisa entender que o mercado mudou drasticamente. Hoje, planejamento estratégico, automação e eficiência operacional são indispensáveis.

Como você avalia a evolução do maquinário chinês ao longo da última década e a quebra de antigos preconceitos do empresário brasileiro?
JH – A evolução de 2010 até hoje foi enorme. Quando montei minha primeira empresa de vidros, em 2011, usando equipamentos chineses, já era possível perceber avanços, mas ainda havia dificuldades de comunicação e programação dos sistemas. Hoje, houve uma evolução significativa em acabamento, estrutura e inteligência embarcada, com componentes elétricos de alto padrão importados do Japão, por exemplo. O governo chinês incentiva fortemente a inovação tecnológica, e isso acelerou muito o desenvolvimento industrial. Atualmente, o nível de qualidade do produto chinês é tão alto que muitas fabricantes europeias de equipamentos para vidro migraram suas sedes para a China, buscando manter a qualidade enquanto reduzem custos.

E em relação à evolução da automação no setor vidreiro nos últimos anos?
JH – Essa também foi enorme. Há quinze anos, os equipamentos trabalhavam de forma muito mais mecânica e dependiam diretamente da ação humana. Hoje, as máquinas operam de forma integrada, com inteligência embarcada e comunicação entre sistemas. A pressão por produtividade e competitividade fez com que as empresas buscassem processos mais eficientes. Quem produz mais, com menos custo e mais qualidade, ganha espaço. A quarta revolução industrial chegou forte ao setor vidreiro e isso não tem volta.

Quais são os critérios que vocês utilizam na hora de selecionar quais marcas irão representar no Brasil?
JH – Sempre priorizamos empresas com valores alinhados aos nossos. O primeiro ponto é a seriedade da marca, a forma como ela enxerga o mercado e conduz seus negócios. Temos muito orgulho de realizar transições de representação de maneira ética e transparente. O segundo critério é a qualidade técnica do produto. Não adianta compartilhar os mesmos valores e não oferecer um equipamento ou uma metodologia de trabalho realmente eficiente.

Muito se fala hoje sobre a presença da inteligência artificial no setor. Como a IA se insere na rotina industrial de uma processadora de vidros?
JH – A inteligência artificial entra na área fabril principalmente para a extração rápida e eficiente de dados. Ela funciona de maneira semelhante a um sistema de Business Intelligence (BI), entregando informações estratégicas sobre o fluxo produtivo. Mas é importante lembrar que a IA depende da qualidade dos dados recebidos. Existe ainda um desafio importante no mercado brasileiro, porque nossas fábricas trabalham com produtos muito mais customizados do que na Europa ou na China. A tecnologia ainda precisa amadurecer para lidar com essa complexidade, mas acreditamos muito nesse caminho.

Os vidros de valor agregado devem ganhar mais espaço nos próximos anos?
JH – Sem dúvida. O vidro temperado tradicional continua importante, mas hoje os produtos de maior valor agregado representam um caminho natural para o mercado. Laminados, insulados e soluções mais sofisticadas tendem a crescer cada vez mais, impulsionados por questões de segurança, eficiência e design. O empresário percebe que precisa buscar diferenciação para fugir da guerra de preços que existe nos produtos mais básicos.

Como você enxerga o futuro do vidro no Brasil e no mundo?
JH – A evolução do vidro é inevitável. A arquitetura utiliza cada vez mais o material em projetos sofisticados e novos formatos surgem constantemente. O mercado global segue em expansão, impulsionado também por áreas como energia solar e soluções de alto desempenho. Claro que fatores econômicos e geopolíticos podem interferir nesse crescimento, mas o vidro continuará sendo protagonista por muitos anos.

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Este texto foi publicado originalmente na edição nº 641, de maio de 2026, na revista O Vidroplano

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