Quais as tendências no uso de ferragens para o vidro

Conheça as vantagens desse material, as novidades em acabamento e como as empresas inovam para satisfazer o mercado
Por Redação Abravidro
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Quais as tendências no uso de ferragens para o vidro

As ferragens são fundamentais para o trabalho com vidro: elas permitem não só a fixação do material, mas também a movimentação
das peças em diversos tipos de estrutura, como janelas, portas, boxes de banheiro e fechamentos em geral. E, assim como todos os elementos de um sistema envidraçado, devem ser escolhidas com atenção, de forma a garantir a integridade da instalação.

Para conhecer mais sobre o mundo das ferragens, O Vidroplano conversou com algumas fabricantes. Confira a seguir os benefícios das diferentes matérias-primas usadas nesses itens, as tendências de acabamento atuais e como as empresas desenvolvem novos produtos para atender as demandas do mercado.

Atenção às matérias-primas
Diversos materiais podem ser utilizados na produção das ferragens – cada um com seus próprios benefícios e custos. O latão, por exemplo, um material nobre, oferece resistência mecânica e à corrosão. “Após muitos anos de desenvolvimento e trabalho com diversas ligas de materiais,
encontramos no latão a melhor forma de ter beleza e durabilidade”, explica o CEO da Ideia Glass, Érico Miguel. “Por isso, o escolhemos, apesar de empregar outras matérias-primas, como o alumínio. O latão é um material muito caro, por usar cobre como seu principal elemento, mas tem benefícios enormes em relação à garantia.”

Para a WR Glass, seu maior volume de vendas está nas ferragens feitas de zamac, uma liga metálica não ferrosa, com resistência mecânica similar à do latão. “O zamac é um elemento interessante por uma combinação bem-prática de fatores: custo, velocidade para fabricação
e desempenho. Com ele, conseguimos fabricar em alta demanda, mantendo acabamento padronizado e boa resistência”, informa o arquiteto Bruno Cardoso, da WR Glass. A empresa também conta com capacidade para fazer projetos especiais de inox – mais um material de alto padrão, que dispensa acabamentos, pois apresenta brilho característico. “O inox tem custo mais elevado, porém, para algumas regiões litorâneas ou para obras com padrões de acabamento diferenciados, ele tem grande procura.”

O polímero, um material plástico, é outro com grande espaço no mercado. Segundo a AL Indústria, seu diferencial é a capacidade de ser injetado. “Isso trouxe mais velocidade para o processo produtivo e um acabamento impecável para as peças”, aponta Max Del Olmo, diretor da empresa. “O maior ponto forte do polímero é sua propriedade de não oxidar, podendo ser utilizado em todas as regiões: quentes, frias, litorâneas e áridas. Em suma, não conta com restrições quanto às intempéries.”

Outra matéria-prima que vale ser mencionada é o alumínio, um material leve e que dispensa acabamento superficial, apresentando aspecto liso e fosco.

O que está em alta em acabamentos
Várias tendências vão e voltam quando se fala em ferragens para vidro. A que está em alta hoje pode deixar de ser usada amanhã, para retornar com tudo na sequência. “Atualmente, os acabamentos sem brilho, como fosco ou semifosco, voltaram à moda com força. O design contemporâneo está buscando cores mais sólidas e menos chamativas. A época do brilho, do ouro e da prata já passou – e essa tendência é bem-clara em feiras de design que visitamos recentemente, como a de Milão e a Expo Revestir”, analisa Érico Miguel, da Ideia Glass.

A prova disso pode ser vista na produção da AL Indústria. “No momento, estamos com a demanda maior para a cor preta, que representa, aproximadamente, 50% do volume de peças pintadas”, revela Max Del Olmo. Bruno Cardoso, da WR Glass, concorda: “Existe uma grande demanda por ferragens com colorações que ornem com os outros elementos da obra. Isso significa uma procura maior por acabamentos diferentes do cromado, como o preto-fosco, branco e bronze”.
Em relação à instalação das ferragens no vidro, a tradição é quem manda. São dois padrões conhecidos por todo o mercado:

  • Blindex: consiste na furação do vidro, com a ferragem sendo sobreposta à peça;
  • Santa Marina: recorte do vidro, com uma parte da ferragem embutida no espaço recortado.

Mas vale estar atento ao alerta de Érico Miguel: “As ferragens evoluíram muito nos últimos anos por conta da melhor capacidade das têmperas. Porém, vemos o aumento do vidro encaixilhado como esquadria. A ferragem como peça exposta está perdendo seu espaço”.

Assim como todos os elementos de um sistema envidraçado, as ferragens devem ser escolhidas com atenção, de forma a garantir a integridade da
instalação

Como desenvolver novos produtos
Ouvir o consumidor é essencial para o segmento de ferragens – mas, ao mesmo tempo, as fabricantes precisam traduzir a necessidade do mercado em soluções viáveis dos pontos de vista econômico e de produção. “Esse trabalho é uma mescla de fatores que podem envolver a opinião de clientes, sugestões internas e ideias de acordo com a situação do setor”, relata Bruno Cardoso, da WR Glass. O processo para o desenvolvimento se dá por meio das seguintes etapas:

  • Equipes de atendimento e de marketing levantam as demandas do mercado;
  • Após essa tarefa, times de engenheiros e designers de produto fazem as ideias se tornarem protótipos reais;
  • O próximo passo é fazer testes. A Ideia Glass, por exemplo, compartilha esses protótipos com alguns clientes estratégicos a fim de validar o produto na prática;
  • Por fim, depois de validado, entram em ação as equipes de qualidade e engenharia da produção para fazer o projeto ganhar volume e escala.

“Todos os produtos da AL seguem rigorosos processos de testes de qualidade em laboratórios renomados. Temos muito orgulho de ter feito parte da elaboração da norma técnica de ferragens, sendo a primeira empresa a ter seus produtos aprovados”, explica Max Del Olmo. “Para isso ser uma constante, também trabalhamos com fornecedores que acompanham essa cultura da qualidade com responsabilidade, pois só assim podemos garantir o melhor produto.”

O desenvolvimento de novas ferragens envolve diversos fatores, como a opinião de clientes e as demandas do mercado

De olho na norma
No início do ano passado, o segmento de ferragens ganhou uma norma técnica importantíssima para seu trabalho, a ABNT NBR 16835 — Ferragens para vidro temperado – Requisitos, classificação e métodos de ensaio. Elaborada visando à segurança das aplicações para o temperado, ela apresenta os requisitos de qualidade, durabilidade e resistência mecânica que as ferragens para esse tipo de vidro devem ter, bem como a sua rastreabilidade, exigindo que contenham a identificação do fabricante. Além disso, o documento aponta também os limites máximos de peso e dimensão do vidro de acordo com o modelo da ferragem, fornecendo ao vidraceiro a referência adequada à instalação a fim de garantir mais segurança na aplicação.

Apesar de a ABNT NBR 16835 não abordar todas as ferragens existentes, serve de igual modo como referência para os modelos não mencionados no texto – afinal, ela conta com os requisitos mínimos de desempenho para qualquer ferragem para vidro.

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Uma das contribuições mais relevantes da norma é a padronização e responsabilização de todos os elos da cadeia produtiva: será possível identificar se a ferragem correta foi especificada para uma determinada aplicação e peso de vidro; se o vidro correto foi utilizado para essa aplicação; e se os recortes foram feitos de acordo com as recomendações para aquela ferragem. Isso garante a segurança e o desempenho do produto, além de permitir a identificação de onde pode ter ocorrido um eventual erro no processo.

Importante: associados da Abravidro podem acessar essa – assim como todas as normas técnicas do Comitê Brasileiro de Vidros Planos (ABNT/CB-37) e outras relacionadas a nosso material – pelo sistema online ABNT Coleção. Entre em contato com a Abravidro pelo telefone
(11) 3873-9908 para se cadastrar e ter o acesso à plataforma liberado. Saiba mais sobre a ABNT Coleção, clique aqui.

A importância dos vidraceiros
O elo final da cadeia vidreira é muito relevante para a escolha correta das ferragens. Por isso, diversos fabricantes contam com programas que estreitam laços com os vidraceiros – até porque são esses os profissionais que indicam os produtos ao consumidor final.

“A valorização do vidraceiro é uma bandeira que a AL defende desde nossa fundação. Temos uma equipe comercial fazendo, diariamente, um trabalho corpo a corpo junto a esse profissional”, comenta Max Del Olmo. “Aproveito para destacar que, por mais um ano, estamos com o Gabriel Batista, do Portal Setor Vidreiro, para o projeto Mão na Massa, capacitando profissionais por todo Brasil – e, em 2026, o
projeto se estenderá por outros países da América Latina.”

Em março deste ano, a WR Glass iniciou um programa presencial de workshops, o WR Experience. “O primeiro encontro abordou o tema guarda-corpos. O evento foi bem avaliado por todos os presentes e temos o intuito de usar o mesmo formato com outros temas e produtos”, explica Bruno Cardoso.

Também este ano, a Ideia Glass inaugurou o espaço Lapidar, um showroom onde os vidraceiros podem fazer cursos e se atualizar sobre os produtos da marca. “O Lapidar também conta com áreas para receber o arquiteto e o consumidor final, para que nossa equipe os ajude e esclareça todas as dúvidas”, informa Érico Miguel.

Inovações no mercado
Conheça algumas novidades recentes das fabricantes de ferragens que participaram desta matéria:

Trinco 1335, da linha Slim (AL Indústria)

(foto: Divulgação AL Indústria)
  • Design minimalista
  • Encaixe sextavado para melhor alinhamento da ferragem no vidro
  • Fechamento por clique, facilitando a abertura e fechamento

Mola de piso Canedo (WR Glass)

(foto: Divulgação WR Glass)
  • Dispensa a necessidade de quebrar o piso, pois fica embutida no montante inferior do alumínio
  • Compatível com as linhas Suprema e Gold
  • Capacidade de suporte de até 150 kg

Boxe Nobre (Ideia Glass)

(foto: Divulgação Ideia Glass)
  • Kit patenteado, indicado para vidro temperado ou laminado
  • Sistema de amortecimento para abertura das portas
  • Com puxador Asa Linear, que aumenta a área de abertura do boxe

Este texto foi publicado originalmente na edição nº 640, de abril de 2026, na revista O Vidroplano

Fotos: Marcos Santos

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