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Vidro ganha espaço na busca por moradias confortáveis

Para comemorar o Dia Nacional da Habitação, celebrado em agosto, O Vidroplano analisa oportunidades para qualificar a aplicação do vidro nas residências brasileiras
Por Redação Abravidro
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Vidro ganha espaço na busca por moradias confortáveis

Uma casa confortável, em que os moradores não sofram com calor e frio em excesso ou onde o barulho externo não atrapalhe o dia a dia, é uma busca incessante na construção civil atual – como já mostrado em reportagens passadas de O Vidroplano.

Em 21 de agosto, comemorou-se o Dia Nacional da Habitação, data pensada para celebrar a democratização da moradia digna e o acesso à habitação aos brasileiros. E uma “moradia digna” passa por viver com conforto, algo que o vidro oferece sob diversos aspectos. Por isso, esta reportagem conversou com players do mercado com o objetivo de analisar as oportunidades para qualificar a aplicação de nosso material nas residências brasileiras.

A palavra-chave da moradia moderna

“Bem-estar” é o termo da moda na construção – e tudo indica que essa tendência se tornará cada vez mais forte. De acordo com o estudo Moradia & bem-estar: o novo valor do morar, organizado este ano pela consultoria Brain Inteligência Estratégica, 78% dos compradores de imóveis no Brasil afirmam que a decisão de compra deles é influenciada positivamente caso um empreendimento indique visar ao conforto do usuário.

A pesquisa revela uma mudança importante no comportamento do consumidor: o imóvel passou a ser encarado não apenas como espaço de moradia, mas como parte da rotina de saúde, conforto e qualidade de vida. Não à toa, 77% dos entrevistados consideram o isolamento acústico importante na escolha de um imóvel – notícia mais do que relevante para nosso setor, já que o vidro é um material que pode contribuir significativamente para tornar os ambientes mais silenciosos e confortáveis.

O relatório da Brain destaca ainda que a lógica do bem-estar nas edificações – conceito que ganhou o nome de wellness – é aplicada nos empreendimentos de diferentes formas, respeitando as características de cada terreno e projeto. Em relação a espaços externos, tem-se a seguinte configuração:

  • Em áreas maiores, a tendência é ampliar a integração com a natureza,
    áreas verdes e espaços abertos de convivência;
  • Já em terrenos mais compactos, são usadas soluções verticais, com áreas de lazer concentradas nos primeiros pavimentos ou rooftops, incluindo academia, espaços contemplativos, ambientes de convivência e estruturas preparadas para a prática esportiva.

Porém, é nas áreas internas que essa revolução é mais sentida.

Vendendo saúde

Quando se fala em wellness numa residência, pensa-se em iluminação, ventilação e conforto térmico e acústico. É por isso que, segundo a gerente de Desenvolvimento de Mercado Residencial da Cebrace, Camila Batista, o setor vidreiro precisa ligar nossos produtos a esse conceito tão em voga. “Existe uma oportunidade pouco explorada: enxergar o vidro como um elemento que influencia a forma como as pessoas vivem e se relacionam com a casa. Embora o consumidor final nem sempre perceba esse material como protagonista de um projeto, ele vivencia diariamente seus benefícios.” Afinal, é o vidro que:

  • Permite maior entrada de luz natural;
  • Amplia a sensação de espaço;
  • Promove a integração entre os ambientes;
  • Estabelece uma conexão constante entre o interior da residência e o mundo exterior

“Essa discussão ganha mais relevância quando observamos algumas mudanças no comportamento das famílias”, complementa Camila. “Existe uma busca crescente por trazer a natureza para dentro de casa, valorizando as vistas e a conexão com áreas verdes. Ao mesmo tempo, vivemos cada vez mais conectados às telas e passamos boa parte do nosso tempo em ambientes internos. Isso faz com que o lar deixe de ser apenas um local de descanso e assuma múltiplas funções: espaço de trabalho, convivência, lazer.”

(foto: Julia Novoa)

Essa percepção é confirmada por dados. O mercado global de wellness real estate, formado por imóveis concebidos para o bem-estar, mais do que dobrou nos últimos anos: de US$ 225 bilhões de faturamento em 2019, saltou para mais de US$ 500 bilhões este ano, segundo a Global Wellness Institute. Na América Latina, o avanço é ainda maior, com o Brasil sendo um dos líderes na região. “Esse dinheiro não está migrando apenas para moradias maiores, mas para lares que funcionam melhor para a vida de quem mora – uma mudança estrutural, não apenas estética. Esse movimento já existia; a pandemia apenas o escancarou”, escreve Melissa Barbosa, diretora de Sucesso do Cliente da AG7, principal incorporadora de wellness building do Brasil com foco em alto luxo, no artigo O apartamento mais desejado do mundo vende silêncio.

Em seu texto, Melissa afirma que a era do luxo como ostentação acabou. “Durante muito tempo, o setor construiu um consenso confortável: luxo é aquilo que se vê: a fachada, a altura, o endereço, o lobby, o apartamento como cartão de visitas. O problema é que cartão de visitas não regula humor, não reduz cortisol, não devolve horas ao dia e tempo de vida.” A grande busca, especialmente na construção de alto padrão, passou a ser por benefícios tangíveis para aumentar a qualidade de vida.

De olho nas oportunidades

Para a arquiteta Daniela Funari, do escritório Daniela Funari Arquitetura, especificar vidro atualmente deixou de ser apenas uma decisão estética. “É uma escolha que influencia diretamente a forma como as pessoas percebem o conforto e se relacionam com a própria casa”, explica.

“Precisamos lembrar que a função primordial das janelas e áreas transparentes é promover contato visual, acesso à luz natural, ao Sol. O ganho de calor é consequência. O que não podemos é deixar de executar as aberturas para evitar o ganho de calor”, comenta o engenheiro Fernando Westphal, professor e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “Para isso, existem soluções simples, como brises, persianas e cortinas. E apelando para a tecnologia vidreira, temos os vidros de controle solar: existem mais de cinquenta opções de coatings diferentes no mercado nacional, considerando as quatro usinas fabricantes.” Somada a isso, há também a possibilidade de combinação dos coatings com massas de cores diferentes e da criação de composições laminadas e insuladas específicas.

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Panorama (meio da notícia)

Produtos de maior desempenho, portanto, permitem a ampliação de aberturas, trazendo para dentro de casa todos os benefícios já citados. Mas os especificadores (vidraceiros, arquitetos, engenheiros, construtoras) precisam considerá-los desde as fases iniciais de um projeto. “Muitas vezes, a decisão por determinado vidro ainda é baseada apenas em cor, transparência ou custo, quando deveria considerar fatores como orientação solar da fachada, nível de entrada de calor, luminosidade desejada, privacidade, ruído externo e eficiência energética”, analisa a gerente técnica Comercial da Guardian, Kristina Wu.

O espaço Bangalô Terra e Mar – Uma Experiência Breton, feito pela arquiteta Carol Barreto para a Casa Cor Bahia, contou com aplicação do vidro de controle solar Habitat Neutro Incolor, da Cebrace, na área do quarto. Mostras de decoração e interiores mostram que profissionais da construção estão atentos à tecnologia do setor vidreiro (foto: Divulgação Cebrace)

Aproximando-se do usuário

Felizmente, o contato entre setor vidreiro e especificadores tem colhido frutos – graças a ações de diversos elos da cadeia, incluindo usinas, processadores, vidraceiros e entidades de classe, como a Abravidro. A reportagem especial de outubro de 2025 de O Vidroplano, por exemplo, traz um panorama do papel das construtoras e incorporadoras para o aumento do uso de vidros de valor agregado. Laminados e insulados vêm ganhando maior participação no mercado, conforme mostram os dados das últimas edições do Panorama Abravidro – e isso não seria possível sem uma comunicação eficaz a respeito das propriedades de nosso material.

No entanto, não devemos nos esquecer da relevância dos usuários das edificações, um elemento da equação que pode, sim, ditar tendências, como bem mostrou o estudo da Brain Inteligência Estratégica mencionado no início desta reportagem. “O consumidor final dificilmente compra vidro. Na maioria das vezes, ele compra uma casa, um apartamento ou uma esquadria. Por isso, quase sempre, ele nem sabe qual vidro está sendo instalado ou qual diferença aquela escolha fará no dia a dia”, explica o consultor técnico Comercial da AGC, Valdir Augusto Arcocha Júnior.

Nosso segmento precisa traduzir a linguagem técnica para algo que façasentido para quem vai se beneficiar da aplicação de vidro. Em vez de falar apenas sobre transmissão luminosa, fator solar ou reflexão, é preciso mostrar os benefícios que as pessoas percebam. “Também vejo uma oportunidade em aproximar o consumidor por meio de demonstrações práticas. Sempre que mostramos, por exemplo, a diferença de temperatura entre um vidro comum e um vidro de controle solar, a percepção muda completamente”, afirma Valdir.

A arquiteta Daniela Funari concorda que a comunicação com o consumidor precisa ser mais simples e baseada na experiência de uso: “Termos técnicos são importantes para os especificadores, mas quem está construindo ou reformando quer entender como aquele material vai melhorar sua rotina”. Para Fernando Westphal, uma solução seria realizar mais campanhas junto às lojas de materiais de construção. “Temos focado em arquitetos e engenheiros; porém, essa é uma parcela pequena das obras e consumo de vidro no País”, comenta.

Em Curitiba, o edifício Pinah ganhou SunGuard Neutral 70, da Guardian, nas fachadas, garantindo o conforto térmico dos usuários. Projeto conquistou a certificação Well Platinum, sendo a primeira construção residencial da América Latina a receber essa chancela, que é voltada a edificações que oferecem bemestar (foto: Divulgação Guardian)

Atenção aos demais mercados da construção

Apesar de o wellness estar presente de fato nos segmentos de alto padrão, não podemos deixar de lado as possibilidades existentes em outros mercados. “Vejo uma oportunidade importante nas habitações de médio padrão, principalmente em regiões de clima quente, onde o conforto térmico faz diferença na rotina das famílias. Muitas vezes, pequenos incrementos no desempenho da fachada trazem benefícios percebidos durante toda a vida útil do imóvel”, reforça Valdir, da AGC.

Como frisa Camila Batista, da Cebrace, nos últimos anos o mercado imobiliário valorizou espaços como varanda gourmet, piscina, academia e áreas de lazer – e muitos desses atributos eram exclusivos de um padrão nichado de edifícios. “Talvez, o próximo passo seja dar mais destaque ao desempenho da própria residência, considerando como os materiais utilizados podem tornar a casa mais funcional no dia a dia.”

(foto: Julia Novoa)

Um passo para isso acontecer seria ampliar a percepção de que vidro de valor agregado não deve estar restrito aos projetos de luxo – afinal, em muitos casos, o material pode representar uma solução de melhor custo- benefício quando se avalia o desempenho da edificação ao longo do tempo. “Nas obras de médio padrão, há uma oportunidade para o uso de vidros que combinem estética, conforto térmico e melhor aproveitamento da luz natural, especialmente em fachadas, varandas, dormitórios e áreas sociais. Esses benefícios podem aumentar a atratividade do empreendimento e diferenciar o produto imobiliário em um mercado cada vez mais competitivo”, analisa Kristina Wu, da Guardian. “Já nas habitações populares, o desafio é pensar em soluções com especificações adequadas à realidade de custo do projeto, mas que também entreguem benefícios concretos aos moradores, como um vidro mais adequado para reduzir a dependência de ventiladores e ar- condicionado.”

Importante não esquecer que a segurança também deve estar no centro das decisões para a especificação do vidro. A escolha correta do produto é fundamental para garantir o desempenho esperado e a proteção dos usuários ao longo da vida útil da edificação. Para apoiar os especificadores nessa tarefa, a Abravidro disponibiliza gratuitamente importantes ferramentas técnicas, como o acesso gratuito à ABNT NBR 7199 – Aplicações de vidros na construção civil – Requisitos; a tabela Que Vidro Usar?, que orienta a seleção do material conforme cada aplicação; e a plataforma de educação à distância Educavidro.

Nossas cidades estão cada vez mais densas, quentes e ruidosas. Portanto, a escolha das matérias-primas tornou-se uma tarefa das mais importantes para a relação das pessoas com o seu entorno. Nesse sentido, o vidro sai na frente dos demais materiais.

(foto: Julia Novoa)

Foto de abertura: Julia Novoa

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