Em 2025, a Cebrace conseguiu um desempenho consistente, com crescimento, além de evolução em eficiência operacional e avanço em iniciativas estratégicas – como o fortalecimento do relacionamento com clientes. Os efeitos negativos da taxa de juros na demanda dos mercados e o avanço das importações de vidro (includindo produtos processados) foram dois aspectos negativos. Para 2026, a usina tem expectativas positivas, esperando um cenário de crescimento moderado, acompanhado por uma retomada mais consistente da construção civil e por avanços graduais nos segmentos automotivo, comercial e industrial.
A revista O Vidroplano conversou com as quatro usinas vidreiras de base que atuam no Brasil para saber como foram os negócios no ano passado e entender suas expectativas para o ano que começa. Confira abaixo a opinião da Cebrace. As respostas são dos diretores-executivos Lucas Malfetano e Wiltson Varnier.
Qual análise vocês fazem dos negócios em 2025?
“O ano de 2025 foi desafiador, mas positivo para a companhia. Os mercados em que atuamos sentiram claramente os efeitos das elevadas taxas de juros, mas particularmente na construção civil vimos uma resiliência importante da demanda. Nesse contexto conseguimos um desempenho consistente, com crescimento, evolução em eficiência operacional e avanço em iniciativas estratégicas importantes, especialmente no fortalecimento do relacionamento com nossos clientes. Além disso, o ano também foi marcado pelo fortalecimento da estratégia de produtos de valor agregado e pelo lançamento de novas soluções como o Cebrace Habitat Neutro Cinza Claro, o Cebrace Habitat Laminado Acústico, o Cebrace Mini Canelado e o Cebrace Atmos – primeiro vidro de baixo carbono da América do Sul. Esses lançamentos reforçaram o posicionamento da empresa como protagonista na transformação do setor vidreiro brasileiro.”
Quais as principais dificuldades encontradas no ano passado?
“Ademais dos efeitos negativos da taxa de juros na demanda dos mercados, vimos com natural preocupação o avanço das importações de vidro em 2025, não somente de produtos float, mas também de produtos processados, que têm impacto direto nas operações de nossos clientes. Nossa crença é que ter mais competição é saudável para os negócios e beneficia os clientes finais, mas é fundamental que a competição seja feita em bases justas e visando ao desenvolvimento do mercado do vidro no Brasil – e não sua destruição.”
Como a indústria pode agir para resolver essa questão?
“As soluções passam por uma combinação de atuação setorial e decisões internas. Do ponto de vista institucional, iniciativas como os processos antidumping e o fortalecimento da atuação conjunta com entidades como a Abividro e a Abravidro são fundamentais para assegurar um ambiente de concorrência mais justo e equilibrado. Nessa direção, vimos a aprovação de medidas antidumping no final de 2025 para algumas origens, visando a trazer a competição para condições justas. Além disso, a atuação coordenada do setor será essencial para reforçar a importância do cumprimento das normas e da correta especificação dos vidros nos projetos. Em 2025, a ABNT NBR 7199 passou por uma atualização relevante, o que torna ainda mais necessário um esforço conjunto de comunicação, orientação e educação de toda a cadeia — de projetistas a especificadores e usuários finais — sobre as responsabilidades técnicas envolvidas. Internamente, nossa resposta esteve baseada na excelência operacional, nos ganhos de eficiência e na maior proximidade com o mercado. Avançamos na otimização dos processos produtivos, no controle de custos e na inovação em produtos e serviços, além de intensificar o diálogo e a proximidade com nossos clientes. Seguimos investindo de forma consistente em pessoas, tecnologia e sustentabilidade, com avanços em eficiência energética, uso de combustíveis mais limpos, transformação digital e na ampliação do portfólio de produtos de maior valor agregado.”
E quais são as expectativas para 2026?
“As expectativas são positivas e indicam um cenário de crescimento moderado, porém mais sustentado, para o setor vidreiro brasileiro, acompanhado por uma retomada mais consistente da construção civil e por avanços graduais nos segmentos automotivo, comercial e industrial. A Cebrace entende que 2026 tende a ser, novamente, um ano de crescimento no mercado brasileiro. Do ponto de vista setorial, há a expectativa de maior empenho da indústria e das entidades representativas na defesa da competitividade do vidro nacional. Medidas como o avanço das políticas antidumping e o combate a práticas desleais de mercado serão fundamentais para criar um ambiente mais equilibrado, permitindo que as empresas brasileiras concorram em condições justas e sustentáveis. Em relação ao mercado, a tendência é de crescimento da demanda por produtos de maior valor agregado, impulsionada por projetos que priorizam eficiência energética, conforto térmico e acústico e critérios ambientais mais rigorosos. Da parte da Cebrace, começamos 2026 otimistas e com muita energia para continuar participando junto com nossos clientes da evolução do mercado vidreiro no Brasil.
Este ano, um dos principais pontos de atenção para as empresas vidreiras será a gestão eficiente dos custos, mantendo elevados padrões de qualidade, segurança e conformidade técnica. Ao mesmo tempo, será fundamental acelerar a transição para produtos de maior valor agregado, alinhados às crescentes demandas por desempenho, sustentabilidade e estética. A descarbonização, nesse contexto, deixa de ser apenas uma tendência e passa a representar um diferencial competitivo relevante. Capacitação técnica, inovação, transformação digital e eficiência operacional seguirão como pilares estratégicos, assim como o acompanhamento atento das normas técnicas, do ambiente regulatório e do comportamento do mercado. A atuação coordenada do setor também será essencial para fortalecer um ambiente competitivo equilibrado e sustentável. As empresas que conseguirem equilibrar eficiência, responsabilidade e proximidade com o cliente estarão mais bem preparadas para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades de 2026.”
Quais as expectativas sobre o desempenhos dos principais mercados consumidores de vidro em 2026?
“Os mercados consumidores devem seguir mais criteriosos, priorizando soluções que entreguem desempenho, durabilidade, eficiência energética e conformidade normativa. A construção civil continuará sendo o principal motor de consumo, com destaque para projetos de médio e alto padrão, retrofit e fachadas, cada vez mais orientados por conforto térmico e acústico, além de requisitos de sustentabilidade e certificações ambientais. O setor automotivo tende a manter uma recuperação gradual, acompanhando a modernização da frota e o avanço de novas tecnologias. Já o mercado moveleiro deve permanecer relativamente estável, com maior valorização de design, diferenciação e aplicações especiais. A linha branca, por sua vez, deve registrar crescimento moderado, com foco em eficiência energética e desempenho dos materiais. Nesse cenário, o vidro tende a ser cada vez mais valorizado como um material técnico e estratégico, e não apenas estético, favorecendo empresas que investem em qualidade, inovação, informação e conformidade.”
Qual recado vocês deixam para o setor?
“O setor vidreiro brasileiro é forte, resiliente e estratégico para o desenvolvimento do País. Nosso recado é que sigamos unidos, valorizando a aplicação correta do vidro, o cumprimento das normas e o investimento contínuo em qualidade, segurança e inovação. Acreditamos que, com profissionalismo e visão de longo prazo, o setor tem tudo para crescer de forma sustentável e continuar gerando valor para toda a cadeia.”
Confira a reportagem completa da revista O Vidroplano sobre perspectivas das empresas para este ano.








