Guardian adota cautela neste início de 2026

Em entrevista, diretor-executivo para a América do Sul, Rafael Rodrigues, diz que calendário com eleições, Copa do Mundo e inúmeros feriados pode não ser favorável para o ritmo do setor
Por Redação Abravidro
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Guardian adota cautela neste início de 2026

A revista O Vidroplano conversou com as quatro usinas vidreiras de base que atuam no Brasil para saber como foram os negócios no ano passado e entender suas expectativas para o ano que começa.

A Guardian comentou que o saldo de 2025 foi muito próximo ao do ano anterior, com um ambiente para negócios mais desafiador do que o inicialmente esperado. Os principais desafios estiveram ligados a um cenário macroeconômico mais restritivo, marcado por juros elevados e maior incerteza política e econômica, o que afetou diretamente o mercado da construção civil, especialmente os segmentos de médio e alto padrão. Para 2026, a usina espera um ano marcado por cautela: o calendário com eleições, Copa do Mundo e um número maior de feriados não configura, a princípio, um ambiente favorável para o ritmo dos negócios.

Confira abaixo a entrevista com o diretor-executivo para a América do Sul, Rafael Rodrigues.

Como você avalia 2025?

“O ano foi marcado por um ambiente mais desafiador do que o inicialmente esperado. Havia, no início do período, uma expectativa de desempenho mais favorável, impulsionada pela continuidade da recuperação observada em 2024. No entanto, ao longo dos meses, ocorreu uma deterioração do cenário macroeconômico e setorial, o que limitou os resultados ao longo do ano. A elevação das taxas de juros no primeiro semestre, e sua manutenção em patamar elevado no restante dos meses, afetou o ritmo dos investimentos e o consumo. Além disso, a entrada de produtos importados manteve-se elevada durante todo o período, intensificando-se mais no final do ano, o que trouxe uma complexidade adicional à relação entre demanda e oferta no mercado interno. A sazonalidade tradicional do segundo semestre foi mais tímida, frustrando a perspectiva de uma retomada mais consistente. Diante do contexto ainda marcado por um elevado grau de incerteza econômica, o saldo de 2025 foi muito próximo ao do ano anterior.

Nesse cenário, foi fundamental avançar com ações para apoiar nossos clientes e parceiros ao longo do ano, com destaque para a evolução das ferramentas digitais da Guardian. Promovemos melhorias e atualizações em plataformas capazes de simular cenários, cruzar dados de desempenho e apoiar decisões com mais rapidez e precisão, conectando o mercado a soluções que ampliam a previsibilidade, contribuem para a redução de custos e aumentam a segurança nas escolhas técnicas. Entre essas iniciativas estão o Seletor de Vidro Digital, para avaliar opções de vidro a partir de critérios técnicos e estéticos; o Visualizador de Vidro, que oferece uma experiência mais imersiva, com renderizações realistas que simulam o comportamento do material em diferentes condições de iluminação e ângulos; e o Localizador de Projetos, que apresenta exemplos reais de edificações que utilizam produtos Guardian, com integração ao Google Street View. Complementando esse ecossistema digital, disponibilizamos o Resource Hub, plataforma que concentra informações técnicas, simuladores de desempenho, treinamentos interativos e materiais de apoio, e também lançamos a Claria, assistente digital baseada em inteligência artificial generativa, que facilita o acesso a informações técnicas sobre a utilização do vidro na arquitetura e na construção. 

A empresa manteve o foco na sustentação, no aprimoramento e no crescimento dos produtos lançados nos últimos anos, assegurando desempenho consistente e atendendo as necessidades dos clientes e de seus projetos na região. Esse direcionamento permitiu acompanhar as transformações do mercado e responder às demandas de um ambiente em constante evolução.”

Quais as principais dificuldades encontradas no ano passado?

“Os principais desafios para os negócios estiveram ligados a um ambiente macroeconômico mais restritivo, marcado por juros elevados e maior incerteza política e econômica. Esse contexto afetou diretamente o mercado da construção civil, especialmente os segmentos de médio e alto padrão, reduzindo o ritmo de novos projetos e aumentando a cautela por parte de investidores e consumidores. Do ponto de vista setorial, a forte presença de vidros importados continuou sendo um fator relevante de pressão. Além do vidro incolor, observou-se um aumento significativo da entrada de produtos com maior nível de processamento, como laminados e temperados, impactando de forma ampla toda a cadeia.”

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Quais as possíveis soluções para esses problemas?

“Diante desse contexto desafiador, a Guardian buscou focar na qualidade de seus produtos e soluções e aprimorar ainda mais os processos internos, com o objetivo de elevar o nível de serviço oferecido aos clientes. Houve um esforço concentrado para ganhar eficiência operacional, melhorar a previsibilidade, a qualidade das entregas e o suporte ao longo de toda a cadeia, contribuindo para relações mais próximas e confiáveis com o mercado. Essa estratégia permitiu mitigar parte dos impactos de um ambiente econômico complexo e altamente competitivo, garantindo maior consistência nas operações e apoio aos clientes na condução de seus projetos, mantendo nossa visão de ser o parceiro preferencial de nossos clientes.”

E quais são as expectativas para 2026?

“O ano tende a ser marcado por um cenário de cautela. O calendário marcado por eleições, Copa do Mundo e um número maior de feriados reduz a previsibilidade e não configura, a princípio, um ambiente amplamente favorável para o ritmo dos negócios. Soma-se a isso a recente intensificação da entrada de vidro importado, introduzindo uma variável adicional de pressão competitiva para o setor. Por outro lado, do ponto de vista macroeconômico, há sinais que sustentam uma visão mais positiva para o médio prazo. Após um período de juros elevados e maior seletividade da demanda, o mercado imobiliário entra em 2026 com fatores que podem favorecer sua evolução, como a expectativa de redução da taxa Selic, a ampliação das linhas de crédito e o fortalecimento do programa Minha Casa, Minha Vida. Esses elementos tendem a criar uma base mais sólida para a atividade, ainda que o cenário eleitoral exija cautela.”

O que esperar dos mercados consumidores de vidro em 2026?

“A construção civil inicia 2026 com perspectivas mais favoráveis, ainda que cercada por riscos. Há fatores positivos capazes de sustentar uma retomada mais consistente da atividade, especialmente a expectativa de que os lançamentos imobiliários seguirão em ritmo crescente. Outro destaque relevante para 2026 deverá ser o Reforma Casa Brasil, programa que prevê a liberação de até R$ 40 bilhões em crédito facilitado e assistência técnica para reformas e melhorias habitacionais. A construção civil é um dos principais mercados consumidores de vidro plano, e esse movimento tende a estimular a demanda, sobretudo em projetos residenciais e comerciais que exigem soluções mais inovadoras, eficientes e de maior valor agregado, nas quais o vidro desempenha papel estratégico. Outros setores relevantes para o consumo de vidro, como o automotivo, moveleiro e de linha branca, terão os mesmos desafios à frente, como a inflação, elevado custo do crédito e aumento da oferta de similares importados.”

Qual o seu recado final ao setor?

“Apesar dos desafios que marcaram os últimos anos, o mercado vidreiro segue apresentando um potencial relevante de crescimento. O consumo de vidro per capita no Brasil continua significativamente abaixo do observado em regiões mais desenvolvidas, o que deve ser encarado como uma oportunidade. Para 2026, o principal ponto de atenção é garantir que esse crescimento ocorra de forma sustentável, criando espaço para mais inovação, tecnologia e benefícios concretos para os usuários finais do vidro. Ao mesmo tempo, a tendência observada ao longo de 2025 indica um ambiente cada vez mais competitivo, com a manutenção de pressões sobre preços e margens. Nesse contexto, a diferenciação será determinante para o sucesso das empresas, seja por meio de produtos com maior valor agregado ou pela excelência no nível de serviços, suporte técnico e relacionamento com clientes, fatores que ganham relevância em um mercado mais disputado. A capacidade de adaptação às mudanças econômicas, ao comportamento da demanda e às condições do mercado serão fundamentais para equilibrar desafios e oportunidades, assegurando competitividade, solidez e crescimento consistente no médio e longo prazo.”

Confira a reportagem completa da revista O Vidroplano sobre perspectivas das empresas para este ano.

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